Discografia

Luiz Caldas conversa sobre os 30 anos do Axé

 

DSC_0200DISCOGRAFIA – O que representa para você esses 30 anos de axé music?
Luiz Caldas –
Representa a continuidade de uma carreira dedicada à música, pois a música é a minha existência.

DISCOGRAFIA – Qual é sua opinião sobre o termo axé-music?
Luiz Caldas – Não fico preocupado com rotulações ou nomes de batismo. Tudo no mundo tem um nome. Quem está lendo essa entrevista tem um nome. Para o bem ou para o mal, o nome está na vida humana. Entendo que, por levar a força sagrada dos orixás, por conta do significado da palavra axé, esse tipo de música iniciada por mim a partir do disco Magia, de 1985, ficou mais forte e deu no que deu e já são 30 anos de muita história.   

DISCOGRAFIA – O que marca essa efeméride é o lançamento da música “Fricote”. Queria que você falasse sobre como nasceu essa composição.
Luiz Caldas – É uma canção em parceria com Paulinho de Camafeu e surgiu a partir de uma observação, a partir de um diálogo engraçado entre um homem e uma mulher, quando ele disse “pega ela aí, pega ela aí…” Diálogos assim pululam no nosso dia a dia, basta ir à feira livre ou ficar numa praça observando a comunicação das vidas que passam.

DISCOGRAFIA – Queria lembrar um pouco dos primeiros momentos com o sucesso de “Fricote”. Apesar de ter sido um grande sucesso, muita gente falou mal. Como você viu esse momento? O que te marcou?
Luiz Caldas – Sempre vai ter gente falando mal de alguma coisa. É do humano, dos invejosos, dos que torcem para que tudo dê errado. Nasci vacinado contra esses maldizeres. Por estar vacinado, me dediquei aos que gostaram e esses que gostaram viram outras coisas belíssimas que estavam nos meus discos. É preciso pesquisar os discos, ouvir com acuidade as canções de um artista para conferir o seu potencial. O que me marcou foi a legitimação do meu som pelo povo brasileiro, de norte a sul, de leste a oeste. A revista Veja foi feliz quando fez uma capa comigo, em 1986.

DISCOGRAFIA – Em 2011, essa música chegou a causar uma polêmica por causa de uma proibição por parte da prefeitura de Camaçari. O que você achou desse veto?
Luiz Caldas – A censura no Brasil morreu com o fim da ditadura. Não tenho tempo para dar ibope para quem não conhecer o sentido lúdico que envolve a letra de uma canção.

DISCOGRAFIA – O que mais mudou na música baiana nesses 30 anos?
Luiz Caldas – Tudo é mutante. 30 anos não são 30 dias. O que mais mudou foi o engessamento da espontaneidade artística e a busca desenfreada pelo sucesso. Antes a preocupação era o som. Hoje a preocupação passa pela sala do negócio.

DISCOGRAFIA – De que forma você acredita que a axé music influenciou a música brasileira como um todo?
Luiz Caldas – A Axé Music ocupou e ocupa uma fatia do mercado da música, fortaleceu e fortalece o Carnaval de Salvador e fez e faz explodir as micaretas pelo Brasil. A sonoridade em si, por ser híbrida, valorizou e valoriza em certa medida o campo percussivo e trouxe consigo a dança de rua.

DISCOGRAFIA – Qual a sua relação com novos artistas da música baiana, como Claudia Leitte, Saulo Fernandes e outros mais recentes ainda?
Luiz Caldas – Somos próximos e já gravamos juntos e continuamos gravando. Participei do último DVD de Claudia Leitte e tenho um show com Saulo em homenagem a Dorival Caymmi. Estamos em plena sintonia. A nova geração acompanha-me.

DISCOGRAFIA – Estar sempre ligada ao Carnaval é bom ou ruim para a axé-music? Não acha que isso limita o gênero?
Luiz Caldas –
Essa ligação é boa porque o Carnaval é um campo aberta e sempre acontece, daí a Axé Music sempre terá o seu espaço. O samba-enredo, por exemplo, está ligado ao Carnaval do Rio de Janeiro. O frevo remete ao Carnaval pernambucano. Tudo se liga ao local. É bom frisar que tem Axé Music que não tem vínculo com a festa carnavalesca.   

DISCOGRAFIA – No livro Sonhos elétricos, Moraes Moreira critica o modelo atual do Carnaval baiano, que foi se elitizando e se estratificando entre quem pode pagar para entrar no bloco e quem não pode. O que você pensa dessa crítica? Acha que algo deve mudar no Carnaval?
Luiz Caldas – Como resposta, deixo a letra do frevo “Apartheid da Alegria”. Fiz com o parceiro César Rasec, que é poeta, escritor e jornalista. Está no disco de frevo “O Trio Elétrico”, na caixa de 130 inéditas, disponível gratuitamente no meu site

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=iaTfRXgEubA[/youtube]


DISCOGRAFIA – Você concorda quando falam que o ritmo vem perdendo fôlego e diminuindo sua atuação no mercado? Se sim, acha que o gênero ainda pode recuperar seu espaço nas rádios?
Luiz Caldas –
Tudo na vida é cíclico. Vivo o melhor momento de minha carreira. Algumas carreiras podem estar perdendo fôlego, o que é natural. Eu falo por mim. Chegarei ao final de 2015 com 490 canções inéditas, gravadas e lançadas, em vários estilos. Tudo pode ser conferido no meu site www.luizcaldas.com.br e baixado gratuitamente. Vivo a música intensamente e lanço um disco por mês. São mais de 7 milhões de downloads, o que mostra que o espaço do rádio migrou para a internet. Além de canções de Axé Music, lancei discos de rock, em tupi, de natal, frevo, forró, lambada, bossa nova, samba, superpopular, pop, dance, reggae, folclore, instrumental de violão, rural, MPB, salsa em espanhol, em homenagem à poesia, ao povo de santo, chorinho e etc. Não é brincadeira o que estou fazendo pela minha música. Esse é o meu Axé e este Axé está me projetando para o mundo. Uma parte dos downloads vem do Japão, da Rússia, da Suíça, da França, da Argentina. Tenho tudo mapeado.  

DISCOGRAFIA – Queria que você falasse sobre sua carreira hoje. Por onde tem feito shows? Lançamentos?
Luiz Caldas – A minha carreira hoje é de muita produção e os shows não param, seja em teatros, seja em festas fechadas ou em praças pública. Convido novamente a visitar o meu site e conferir essa dedicação à música. Vejam as capas dos discos e ouçam as canções. Vejam que tem trato de temas variados, passando pela mobilização social, pela condição humana, pela valorização da palavra. Esse é um presente para a música que me fez famoso e me sustenta.  

DISCOGRAFIA – Qual a lembrança mais forte ou importante que você tem desses 30 anos de axé music?
Luiz Caldas – O sorriso da vida é a eterna lembrança.

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