Discografia

Língua retoma construção do processo criativo de Alessandra Leão

Foto:  Tiago Lima/ Divulgação

Foto: Tiago Lima/ Divulgação

Por Juliana Isola (vidaearte@opovo.com.br)

A percussionista recifense Alessandra Leão retorna às origens de seu processo criativo com o EP Língua (2015), que encerra a trilogia homônima iniciada em 2014 com o EP Pedra e Sal e continuada com Aço (2015). Ao longo das seis faixas do álbum, produzido pela compositora e gravado pela Garganta Records, é possível perceber estilos de ritmos e temáticas distintas, iniciada por Pássaros, mulheres e peixes, composta a partir do texto Como bate o coração de uma mulher, de Xico Sá, que colaborou com a letra da música.

Em Minha Palavra n’Água, a melodia soa mais ritmada como um carimbó, e foi inspirada em um trecho do livro O filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe, e dedicada ao filho, Caio. As seguintes faixas, Língua, e em seguida, Na Minha Boca, falam sobre amores e as construções deste convívio a dois.

Doutrina de Oxum é uma toada tradicional do tambor de Mina do Maranhão, e uma homenagem a Pai Euclides, fundador da casa de candomblé da nação Jeje-Nagô, Fanti Ashanti. A faixa soa contagiante e um tanto hipnótica pelo ritmo constante dos tambores. Por fim, Caudaloso é cantada como uma reza, e brinca com o significado da palavra, que detona fluxo, corrente de rio, fazendo um jogo com aquilo que é perene e temporário em cada um.

Alessandra é acompanhada pelos músicos Caçapa (produção musical, guitarra, órgão, sintetizador e arranjos), Rafa Barreto (guitarra), Missionário José (baixo e sintetizador), Mestre Nico (percussão) e Guilherme Kastrup (bateria e percussão), e conta com outras participações que também trabalharam nos demais EPs da trilogia. Entre elas, Ná Ozzetti, que divide a faixa de abertura. Pernambucana morando em São Paulo, a cantora já fez turnês por outros países da América do Sul e pela Europa.

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