Discografia

O canto sublime de Virgínia Rodrigues

Quero dividir com vocês, leitores, uma grande alegria que tive há algumas semanas. Já tem um tempo que eu procurava um disco para acrescentar à minha coleção. E ele, enfim, chegou às minhas mãos. O nome do álbum é Mares Profundos e trata-se do terceiro rebento da discografia de Virgínia Rodrigues. Para quem não conhece, Virgínia Rodrigues é uma baiana maravilhosa, descoberta e revelada por Caetano Veloso quando era atriz do bando de Teatro Olodum.

Ex-manicure que cantava nas igrejas de Salvador, Virgínia estreou em 1997 com o lindo disco Sol Negro (Natasha Records). Muito elogiada na estreia, três anos depois ela lançou Nós, uma releitura erudita do repertório dos blocos afrobaianos. Lançado em 2003, Mares Profundos é um tributo às parcerias de Baden Powell e Vinicius de Moraes. No meio do caminho, também entram parcerias de Baden com Paulo César Pinheiro, que não fogem muito do que foi construído ao lado do Poetinha.

Em 12 faixas, Virgínia Rodrigues, que é dona de um belíssimo timbre de mezzo soprano, mistura suas influências de samba, canto popular, erudito e gospel. O padrinho Caetano ilumina uma versão cheia de ritmo de Labareda. A propósito, é de Caetano a produção executiva disco, enquanto a produção musical ficou com o violonista Luiz Brasil. Com muitas cordas, percussões leves e uma superdosagem de qualidade, o álbum é uma obra de arte feita para quem espera de um disco mais que uma trilha sonora.

Com respeito e malemolência, Virgínia Rodrigues enche de luxo uma série de afrosambas de Baden, Vinicius e Paulo. Mas isso sem ser pedante. Ela acerta com perfeição essa medida de sofisticação. Já reconhecida internacionalmente, a intérprete que lançou seu último disco, Mama Kalunga, em 2015, lançou Mares Profundos para o mercado estrangeiro. E é por isso que ele tornou-se tão raro no Brasil. Então, minha sugestão para o fim de semana é abrir um bom vinho e saborear escutando Virgínia Rodrigues.

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