Discografia

Sem Palavras: A pluralidade que começa de “baixo”

Por Victor Hugo Santiago

Não é todo dia em que se comemora 50 anos de carreira. Sobretudo sendo, destes, 40 tocando ao lado de um grande mestre como Hermeto Pascoal. Uma das maiores sumidades artísticas do nosso país. Nessa perspectiva, esse álbum do baixista, compositor e arranjador Itiberê Zwarg traz, além da celebração, faixas repletas de novidades surpreendentes e inovadoras que suplantam uma originalidade em que se estende ademais do contrabaixo. O resultado é que a música instrumental marca um “golaço” com um trabalho que integra e desenha-se sonoramente entre convenções rítmicas, melodias e solfejos (melismas) sobre o mais diversos estilos e tendências musicais.

O disco, partiu inicialmente de um convite do produtor Thomas Noreila para um concerto com suas composições e arranjos com a orquestra finlandesa UMO Jazz Orchestra em 2015. Quem também esteve nesse evento é o “bruxo/mago” Hermeto Pascoal, o que pode ser conferido no CD intitulado Universal Music Orchestra – Itiberê Zwarg & UMO Feat Hermeto Pascoal, que chega agora ao País pelas mãos da gravadora Biscoito Fino. A mesma, ressalto: desponta e aponta com responsabilidade o que de grande prática artística está sendo produzido no Brasil. Ainda sobre o trabalho de Zwarg, a ideia central que norteou a origem do CD, foi realizada no Helsinki Festival, tendo na ocasião, Hermeto como solista e com as participações de Mariana Zwarg, Aline Morena e Sami Kontola.

Sobre o menu do repertório, o deleite se dá organicamente por faixas que se entrelaçam numa dinâmica de agrupamentos musicais. Como se as 13 músicas fossem uma só; com um fio condutor em que a pausa/silêncio entre elas fizesse parte de um arranjo pensado minunciosamente para o todo que acerca a narrativa do disco. Todas as músicas são de Itiberê, exceto o clássico Autumn Leaves, de Joseph Kosma, Jacques Prévert e Johnny Mercer, faixa essa que destaco a releitura formidável e anexável ao contexto de todas as outras. Outro destaque é para a direção artística do álbum, que foi de ninguém menos que Olívia Hime; e a direção geral assina Kati Almeida Braga, que já foi indicada para suplente da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) pela Associação Nacional de Música (ANC) e Associação Brasileira de Música Independente (ABMI). Junto com Olívia, é fundadora e proprietária da gravadora voltada para MPB, a Biscoito Fino. Ver-se que por todos os lados esse trabalho está munido de boas referências.

O site finlandês Jazzrytmit enfatiza a performance da orquestra e o trabalho de Itiberê no Festival: “A UMO fez um show de alto nível como orquestra e com os solos individuais. Dificilmente teria sido capaz de escolher um líder e um repertório tão inspirado”. Haja vista que a presença de Hermeto, em qualquer trabalho, realça e orna ainda mais a característica multicultural de um repertório e do evento em si. O projeto de difusão da “Música Universal”, realiza a possibilidade de unir todos os povos do mundo pela coração. Conta Itiberê, tecendo sobre o rebento fonográfico.

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