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Com quase 40 anos de existência, festival musical de Avaré (SP) se reinventa para sobreviver à pandemia

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Feira Avareense de Música Popular aconteceu pela primeira vez em formato online

Por Flávio Mantovani (jornalista)

A Feira Avareense de Música Popular (Fampop), um dos festivais de MPB mais tradicionais do Brasil, também teve que se reinventar para não interromper uma tradição iniciada em 1983. Tendo como foco a nova canção brasileira, o evento realizado em Avaré (SP), no interior paulista, se orgulha de ter recebido em seu palco artistas que depois se tornariam referência nacional.

Chico César, Zeca Baleiro e Lenine são alguns deles, o que levou o musicólogo Zuza Homem de Mello a cunhar a expressão “Avaré viu e ouviu primeiro”. O pesquisador que morreu em outubro do ano passado foi presidente do júri da primeira edição e ocupou a função em anos seguintes.

Lenine, por exemplo, venceu a Fampop em 1989 com Samba do Quilombo. Em 2009, o pernambucano voltou à feira já como patrono. O vencedor daquele ano foi Dani Black, nome de destaque da nova MPB, o que atesta que a Fampop ainda mantém a capacidade de prospectar novos talentos.

Encerrada no domingo, 18 de abril, a 38ª Fampop foi transmitida pelo YouTube por causa da pandemia do coronavírus. Mas a edição por pouco não aconteceu. Em maio de 2020, a Secretaria Municipal da Cultura, que tradicionalmente organiza a feira, anunciou o seu cancelamento em razão da crise sanitária.

O assunto já parecia encerrado quando a produtora local Du Javaro Produções Artísticas conseguiu viabilizar o evento por meio de um programa de fomento cultural do Governo do Estado de São Paulo e da Lei Aldir Blanc. A Secretaria Municipal da Cultura entrou com o apoio.

Mudanças
Mas a pandemia exigia mudanças. Num primeiro momento, os concorrentes de todo o País subiriam ao palco em março sem a presença da plateia, algo inédito em 38 anos de história. Com o recrudescimento da crise sanitária, a Fampop precisou ser adiada para abril. Também ficou definido que os compositores apenas enviariam a gravação com as canções concorrentes, as quais seriam reproduzidas durante a live.

Entre idas e vindas, a 38º Fampop aconteceu de maneira integralmente virtual pela primeira vez, trazendo um panorama da música autoral contemporânea. Os vencedores dividiram a premiação de R$ 48 mil (confira no box).

Apenas jurados e produção estiveram no espaço cedido pelo município. A exceção foram os shows de encerramento. O duo formado pelo pianista paraibano Salomão Soares e pela cantora paulista Vanessa Moreno foi uma das atrações.

A edição também marcou o reencontro entre criador e criatura. Integrante do grupo de seresta paulistano Trovadores Urbanos, o cantor e compositor Juca Novaes, um dos fundadores da Fampop, foi o patrono da edição e fez o show de encerramento.

Canções vencedoras da 38ª Fampop:
1º lugar: Mar de Purpurina (Carlos Gomes/Praia Grande-SP), interpretada pela cantora Jéssica Stephens
2º lugar: A Lenda e o Fogo (Marinho San/Belo Horizonte-MG)
3º lugar: Toda Palavra (Felipe Lucena/São Paulo-SP)
4º lugar: Trova do Violeiro Cansado (Beto Santos/Guarulhos-SP)
5º lugar: A Eternidade e o Grito (Manoel Gandra, Kiko Zamarian, Zé Renato Fressato/Paraguaçu-MG), defendida pelos dois últimos e por Erick Furlan
Melhor Intérprete: Jéssica Stephens
Melhor Letra: O Zé e a Flor (Alexandre Lemos/São Paulo-SP), interpretada por Marcelo Barum
Melhor Música Instrumental: Pra Sempre Chiquinha (Márcio Marinho e Victor Angeleas /Brasília-DF)
Melhor Música Avareense (Prêmio Flores): Século Algum (Márcio Landi Cabral/Samuel Conrado), interpretada pela banda Varal Royal
Prêmio Popular (Prêmio Clóvis Guerra): Século Algum (Márcio Landi Cabral/Samuel Conrado), interpretada pela banda Varal Royal