Fora da Ordem

Arquelano, projeto cearense tutorado por Mahmundi, lança curta-metragem com singles de estreia

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O EP completo será lançado no dia 12 de abril (Foto: Eduardo Barrosa)

Apostando no minimalismo e no experimental, Arquelano, projeto que participou do Laboratório de Música do Porto Iracema das Artes em 2018, lança nesta sexta-feira, 29, os singles “Ponto” e “Estava” nas plataformas digitais. A tutoria é da cantora e compositora Mahmundi.

Além das duas músicas, o trio formado por Benjamin Arquelano (vocais), Emília Schramm (arranjos vocais) e Théo Fonseca (guitarra) também apresenta um curta, dirigido por Darwin Marinho. Estes trabalhos fazem parte do EP Ponto, que será lançado no próximo dia 12.

Confira o vídeo:

“É um curta feito totalmente de forma colaborativa, com a nossa grana e a boa vontade das pessoas”, explica o artista Benjamin Arquelano, que diz ter começado a conversar com Darwin sobre o vídeo ainda em abril de 2018, antes do Laboratório do Porto. As gravações, porém, só começaram em agosto, uma parte no município de Pedra Branca, no sertão cearense, e outra em Fortaleza.

“Eu considero o vídeo bastante honesto, é muito cara-a-cara, estou ali falando e nós estamos mostrando”, destaca. O curta traz uma estética minimalista, que lembra trabalhos como o da norte-americana Solange, que o artista conta ser uma forte referência.

“Tentamos mostrar as coisas não muito visíveis, mas marcando como algo cearense. A ideia da gravação em Pedra Branca, por exemplo, era mostrar as belezas do sertão e do corpo negro ali”. Segundo Arquelano, todas as pessoas que aparecem neste trabalho são artistas da cena local, com a maioria sendo pessoas negras.

O projeto Arquelano

Misturando música eletrônica, pop e MPB, o projeto experimental nasce ainda em 2015, quando Benjamin Arquelano começa a pensar sobre o conceito de “ponto” durante uma aula da faculdade.

“O ponto é o primeiro fragmento de uma imagem”, afirma, acrescentando ainda a ideia de que, ao mesmo tempo em que o símbolo é uma partícula inicial, também representa um fim. “Comecei a fazer uma metáfora com a minha carreira artística, com relacionamentos e fui amadurecendo composições com esse conceito de início e fim”.

O resultado, segundo o artista, são mais de 90 músicas feitas desde então. Para este primeiro EP, o trio apresenta apenas seis. “As músicas do Ponto não são as melhores músicas do Arquelano, mas sim as que melhor se conectaram no conceito”, diz. Ele revela que o grupo já trabalha em composições novas.

Mahmundi

Benjamin se mostra grato quando fala das políticas culturais do Ceará, em especial pela participação do Laboratório de Música do Porto, que também foi responsável por juntar o trio à carioca Mahmundi, tutora do projeto.

“Ela foi muito importante na profissionalização do trabalho, para adentrar outros espaços”, conta Benjamin. “E ajudou muito nas trocas de vivências entre ela e eu. Ela é negra, vem de uma origem bastante simples, humilde, assim como eu”.

O EP que será lançado na segunda semana de abril traz, ainda, a participação de outros artistas da cena musical cearense. Sem revelar muito sobre as músicas inéditas, Benjamin apenas antecipou que outras informações serão divulgadas em breve nas redes sociais do projeto.

Por fim, questionado sobre as suas pretensões com este trabalho, o músico diz: “Eu não faço ideia se o público vai gostar, mas como todo artista eu espero que o Arquelano chegue onde as pessoas de fato querem que chegue. Principalmente para pessoas negras, esse trabalho está sendo feito para elas”.

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