Fora da Ordem

Vingadores tira filme nacional de cena e ocupa 80% das salas de cinema brasileiras

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Elenco reunido em “Vingadores: Ultimato”

Vingadores: Ultimato” estreia nesta quinta-feira, 25, em um massivo número de salas brasileiras. Referência no mercado de cinema nacional, o site Filme B informou que chega a 2,8 mil salas a penetração do novo longa da Disney. O número representa cerca de 80% dos espaços.

Além do filme da Marvel Studios, cinco longas estavam programados para estrear no Brasil nesta semana. Em Fortaleza, apenas outros dois entraram. O alemão Em Trânsito (de Christian Petzold) e o argentino Família Submersa (de María Alché) entraram no Cinema do Dragão, que tem sete filmes em cartaz em Fortaleza.

Nenhum filme nacional chegou a estrear na Capital cearense. De acordo com o Filme B, estavam programados o drama Organismo, de Jorge Pereira, e La Cama (de Mónica Lairana), uma co-produção nacional com Argentina, Alemanha e Holanda. Levantamento do site Cinema e Artes mostra que outros sete títulos saíram de cartaz.

A entrada arrasadora de “Vingadores: Ultimato” era esperada, já que o título se tornou um evento cinematográfico construído ao longo da última década. Não a toa vem quebrando recordes a redor do mundo. Mas para o crítico de cinema e presidente da Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine), Diego Benevides, outras questões precisam ser observadas.

Benevides explica que a imersão representa o reforço da monocultura dos blockbusters e que os filmes que perderam espaço ou precisaram ser reprogramados são todos de distribuidoras menores ou independentes. “Além disso, obras que já estavam em cartaz saíram prematuramente para dar espaço para Vingadores, que deve continuar ocupando mais salas do que devia também nas próximas semanas”, projeta.

“É um monopólio que prejudica o que está ao redor, antes e depois de uma estreia desse porte, passando por cima inclusive do espaço já pequeno para obras brasileiras e filmes que se preocupam com o pensamento artístico, restritos às salas ditas “menores” (que de menores não têm nada, pois são lugares de resistência)”, continua Diego Benevides, também membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

Classificando a divisão como injusta, ele afirma ainda que a “dinâmica incoerente” já existia. “O que Vingadores faz é reforçar essa “lei da oferta e da procura” no meio de um cenário preocupante de desprezo para o cinema e para a cultura brasileira em geral”, conclui.

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