Fora da Ordem

Igor Caracas: “Todos somos seres musicais”

Entrevista por Teresa Monteiro

O cantor, compositor e multi-instrumentista cearense Igor Caracas lança o álbum Cada Passo – que chegou às plataformas de streaming em junho deste ano – neste sábado, 21, no Teatro São José, em Fortaleza. O acesso é gratuito.

Ele se apresenta na companhia da banda Xôu, formada por Túlio Bias (percussão e vocais), Laya (percussão e vocais), Gabriel Bubu Mayall (baixo), Davi Serrano (guitarra, teclados e vocais), Victor Bluhm (bateria), Camille Laurent (luz) e Klaus Sena (som).

Caracas ministra ainda a ação formativa “Percussão, Descoberta e Criação”, destinada ao público em geral por ordem de chegada. Ação será nos dias 24 e 25, das 18h30min às 21h30min. Também gratuita.

(Foto: Taun Fernandes)

Fora da Ordem: Como tem sido a recepção do disco até agora? E como está a expectativa de trazê-lo à terrinha?

Igor Caracas: Cantar uma música é lançar uma mensagem no ar. Saber que chegou até o outro revela que é uma forma de se comunicar, sentir que aquelas músicas que me emocionam tocam também outras pessoas completa o sentido da comunicação. É o que faz sentido, cantar o que sinto e ouvir o ressoar do que sente quem escuta. Tem sido especial, revelou-se uma ponte frutífera de vida.

Quero fazer cada vez mais discos. Levar à Fortaleza é muito marcante. O lugar onde dei todos os primeiros passos da vida, me recebe agora pra cantar pela primeira vez num show meu na cidade. Quero muito cantar essas músicas, falar sobre o que tenho aprendido pelo caminho.

FDO: “Cancioneiro-praieiro-urbano-nordestino”. Essa seria a denominação que condiz com a sua trajetória?

Igor Caracas: Isso sintetiza um pouco as ondas que me banharam até hoje na vida. Na música, sempre trabalhei com canção. Mesmo tendo participado de projetos instrumentais, a canção sempre foi minha conexão maior com a música. Por ser de Fortaleza, o mar foi minha conexão primeira com a natureza. E a natureza, que muito me toca e nos convida a fazer parte, tem sido um tema recorrente no meu canto.

Urbano sempre fui, apesar da natureza sempre perto. A efervescência dos centros urbanos e a busca por novas formas de fazer arte me encantam. Muito embora me preocupe com a presença humana pouco sustentável vivida principalmente nas grandes cidades (mas não só) e como o planeta irá responder se continuarmos a tratar a Terra de forma tão insensata. E nordestino porque é de onde venho, o que sou e o que meus antepassados são, todos nordestinos. Com destinos norteados pela força de vontade e olhar corajoso para o que há de vir.

FDO: Para além do show, existe também a oficina de percussão. É uma ação que você já costuma fazer, de linkar um show com essa ação formativa, vamos dizer assim?

Igor Caracas: Além de músico, também sou educador musical e as duas coisas caminham juntas na minha vida. Aprendo muito como músico sendo educador e vice-versa.

Tenho feito esta oficina “Percussão, Descoberta e Criação” – onde aprendemos a tirar som das coisas que nos rodeiam (as pessoas levam coisas de casa que julgam ter potencial musical), falamos sobre a relação de equilíbrio necessária entre todas as vozes de uma roda e desenvolvemos nosso caráter criativo, tocando, compondo e improvisando. Voltada para a escuta interna e externa e o respeito mútuo, ajudando no trabalho em equipe, na compreensão de ser parte de um todo.

Percussão, dentre outras coisas, é isso: uma grande soma soando uma coisa só. Tem funcionado bastante também com grupos já formados, como funcionários de uma mesma empresa, por exemplo, para fortalecer a harmonia entre a equipe. Não precisa ser músico para participar da oficina. Acredito que todos somos seres musicais, basta aproximar-se dessa forma de expressão e a música flui, o corpo ajuda e ajuda o corpo.

Capa do álbum Cada Passo

Serviço

Show de lançamento do disco “Cada Passo”
Sábado, 21, a partir das 21 horas
Teatro São José (rua Rufino de Alencar, 299 / Praça Cristo Redentor – Centro)
Entrada franca

Oficina “Percussão, Descoberta e Criação”
Dias 24 e 25/9, das 18h30min às 21h30min
Centro Cultural Belchior (Rua dos Pacajus, 123 – Praia de Iracema)
Carga horária: 6 horas/aula
Número de vagas: até 30 pessoas

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