Indicação Geográfica, reconhecimento do INPI, valoriza o artesanato cerâmico do Ceará com raízes indígenas e impulsiona o desenvolvimento regional.
A tradicional produção artesanal da Comunidade da Alegria, localizada na zona rural de Ipu, no Ceará, acaba de conquistar um importante reconhecimento nacional: o registro da Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O reconhecimento foi publicado na Revista da Propriedade Industrial em 24 de abril de 2025 e representa um marco na valorização do artesanato cearense.
O que representa a conquista
Com esse novo título, o Brasil passa a contar com 142 IGs reconhecidas, sendo 103 Indicações de Procedência (todas nacionais) e 39 Denominações de Origem – DOs (29 nacionais e 10 estrangeiras).
Para a Comunidade da Alegria, a IG chancela a qualidade das peças cerâmicas e reforça sua autenticidade cultural, construída a partir de um saber ancestral transmitido entre gerações.
Apoio técnico e valorização cultural
O processo de reconhecimento foi liderado pela Associação dos Artesãos da Alegria, com apoio técnico do Sebrae Ceará, que desde 2020 desenvolve um diagnóstico voltado à identificação de produtos com potencial de IG no Estado.
A cerâmica da Alegria se destacou pelo seu vínculo com a história local, pelo método de produção tradicional e pelo impacto social e econômico gerado na região.
Foram apresentados ao INPI documentos comprobatórios como reportagens, estudos acadêmicos, registros fotográficos e audiovisuais, além de depoimentos orais que reforçam a relevância cultural da atividade para a comunidade e para o Ceará.
Um saber ancestral moldado no barro
A origem da Comunidade da Alegria remonta aos primeiros tempos da colonização da região de Ipu. Desde então, a cerâmica tem feito parte do cotidiano das famílias locais, tanto como utilitário quanto como elemento cultural.
A técnica usada pelas ceramistas da Alegria é uma herança direta dos indígenas Tabajara, que já produziam utensílios e urnas funerárias com o barro extraído da região. Hoje, esse saber permanece vivo, especialmente entre as mulheres da comunidade, que continuam utilizando a técnica do cordel, marcada por seu caráter rudimentar e ancestral.
Enquanto elas moldam as peças, os homens se dedicam à coleta da argila e à queima nos fornos. A produção inclui panelas, bandejas, jarras e peças decorativas, vendidas em diferentes regiões do país. Mesmo com a incorporação de novos elementos estéticos, a maior parte das artesãs aprendeu o ofício com gerações anteriores, mantendo viva uma tradição centenária.
Desenvolvimento e identidade
A fundação da Associação dos Artesãos da Alegria, em 1997, consolidou a organização coletiva da comunidade, que atua em conjunto na extração, produção e comercialização das peças.
Esse modelo de trabalho fortalece o sentimento de pertencimento, gera renda para diversas famílias e reforça a identidade cultural local. A conquista da Indicação Geográfica amplia essa valorização, promovendo reconhecimento nacional e abertura de novos mercados.
Estratégia do Sebrae para as IGs
O reconhecimento da cerâmica da Alegria integra a política estruturante do Sebrae Ceará, iniciada em 2020, voltada à valorização de produtos com identidade territorial.

Além da cerâmica da Alegria, a renda em filé do Jaguaribe também já obteve o registro de IG. Ao todo, dez indicações geográficas estão em processo de estruturação no Ceará, promovendo o desenvolvimento sustentável, a valorização da cultura local e o fortalecimento da economia criativa.
Selo de origem e autenticidade
A partir de agora, a cerâmica da Alegria carrega oficialmente um selo que certifica sua origem e autenticidade. Um reconhecimento que eterniza o saber das mãos que moldam o barro com história, identidade e resistência.
Confira mais ações do Sebrae Ceará no portal:
https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/ce?codUf=6



