Plínio Bortolotti

Fortaleza: céus!, terra de ninguém

Sobre a cabeça os aviões...

O artista plástico Hélio Rola, o editor e proprietário da Rolanet, que reproduzo abaixo, com ilustração acima, está em mais uma guerra santa contra as mazelas urbanas.

Pois Hélio se mudou para a Lagoa Redonda para fugir do inferno da Praia de iracema; pois lá, em logradouro de nome tão póetico, já teve de enfrentar casas de forró, festas rêives e, agora, o barulho que vem dos céus.

Hélio não tem Rocinante, mas batalha com a mesma disposição do Homem de La Mancha, infelizmente [ou felizmente] os troços que ele enfrenta são reais.

A Rolanet:

«A sobrecarga operacional do aeroporto Pinto Martins, um aeroporto no coração da cidade, já operando nos seus limites, mais e mais inunda os céus da cidade com as mazelas tecnológicas do progresso, no caso a poluição acústica e química que se abate, dia e noite, sobre as pessoas que habitam sob as aerovias em vários bairros da cidade…

O artigo Jornal O Globo, 11/08/09, nos dá uma ideia, no Rio de Janeiro, do que é um operar aeronáutico fora da lei, como se diz. Em decorrência, aqui entre nós, ressurge a pergunta: como será mesmo, legalmente, que está a situação aqui nos céus de Fortaleza?

É pertinente se perguntar, ainda mais diante dos propósitos acríticos e velados de ampliação do aeroporto para fazer face às pressões da empresa do bate-bola transnacional, em 2014…  Aliás, nunca vi antes tanta gente obcecada por bola como agora. Só se fala em bola… Bola pra cá, bola pra lá…

Faz uns meses tivemos uma Audiência no Ministério Público Federal por conta de uma queixa minha de abuso sócio-ambiental de origem aérea na área da Lagoa Redonda, um bairro distando uns 8 km do aeroporto. Lá, já em forma de processo ( Procedimento Administrativo nº 1.15.000.001764/2008-08 ) determinou o MPF que as partes envolvidas ( Aeronáutica, Infraero, Anac, Semace, Semam…) deveriam em 30 dias fornecer todas as informações referentes a voos, rotas, empresas, som, além de outras providências, para melhor entender a situação.

Uma delas era medir o som na minha casa, o que foi feito em duas ocasiões, durante o dia e durante a noite, pela SEMACE, em abril passado, 2009, que detectou som além da conta e danoso para o Habitar Humano naquela área … o tempo passou, e parece que os que devem as devidas explicações pediram tempo, mas uma segunda Audiência no MPF deve se realizar por todo esse mês de Agosto…é o que esperamos. Todos aqueles que sofrem desse mal…mal das alturas?

Saudações da pARTE do Hélio Rôla»

Oh, Fortaleza, terra e céus de ninguém.

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