Plínio Bortolotti

Economista britânico vive 18 meses sem dinheiro; experiência vai virar livro

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Mark Boyle começou seu experimento em novembro de 2008, aos 29 anos, com o objetivo de chamar a atenção para o excesso de consumo e desperdício na sociedade ocidental.

Na ocasião, ele se mudou para um trailer que ganhou de graça no site de trocas britânico Freecycle e passou a trabalhar três dias por semana em uma fazenda local em troca de um lugar para estacionar o trailer e um pedaço de terra para plantio de subsistência.

Dezoito meses depois ele afirma que não pensa em voltar a usar dinheiro e que, com o que ganhar com a venda do livro, pretende comprar um pedaço de terra para montar uma comunidade em que outras pessoas que queiram viver sem dinheiro, como ele, possam morar.

“Foi o ano mais feliz da minha vida”, disse Boyle, 12 meses depois de começar a experiência, “e não vejo nenhum motivo para voltar a um mundo orientado pelo dinheiro”.

“Foi libertador. Há desafios, mas não tenho o estresse de uma conta bancária, contas, engarrafamentos e longas horas em um trabalho do qual que não gosto.”

A parte mais difícil, conta ele, foi manter uma vida social sem dinheiro, mas ainda assim ele classifica o ano como tendo sido “fantástico”. [Reproduzido do portal BBC Brasil, onde pode ser vista o restante da matéria.]

Comentário [acrescentado no dia 22/5/2010]

Depois que fiz esse post fiquei pensado:

Por que nos atrai tanto as história de pessoas que jogam tudo para o alto, dão uma banana para a sociedade de consumo e passam a viver como ermitões modernos? Creio que é porque todos nós, em maior ou menor grau, já pensamos algo parecido pelo menos uma vez na vida.

Mas, qual seria a consequência se todos nós optássemos por algum modo, digamos, alternativo de vida:

1. Primeiro percebi que quanto mais rica a sociedade, mais fácil a pessoa viver de suas sobras. Vejam que o economista iniciou a sua aventura em um trailer que ele ganhou em um portal de trocas. Depois, na Inglaterra, ele terá assistência à saúde e outros serviços básicos gratuitamente.

2. Mas vamos em frente, todo mundo ou uma expressiva parcela da sociedade resolve viver de modo a obter o mínimo para a sobrevivência, apelando para as trocas.

3. A consequência é que o excedente que hoje permite a quem queira andar na contramão fazê-lo, vai começar a escassear. Depois, como haverá menos gente para pagar impostos, os serviços públicos, aos poucos tenderão a entrar em colapso. Como não existe vácuo de poder, possivelmente os grupos mais fortes ou mais bem armados, começarão a demarcar feudos onde passarão a mandar. Muito possivelmente, esses novos senhores entrarão em guerra uns com os outros…

4. Enfim, creio que se todo mundo resolver virar um mochileiro, acho que voltaríamos à barbárie.

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1 comentário

  • JJJ disse:

    Ao comentário.

    tu não sabe nada de:
    – economia
    – antropologia
    – história
    – da vida hehe

    sou economista e antropologo, fiz algo parecido com o que o cara fez. Devido as minhas opções, não preciso mais dos serviços públicos. Saúde está atrelada a estilo de vida e alimentação e não a instituições (hospitais) … se estou adoecendo, utilizo de fitoterapia e procuro entender pq estou ficando doente (99% das doenças são psicosomaticas).

    milhares de culturas humanas sobreviveram por milhares de ano sem estado e sem instituições … até a cultura ocidental chegar. As possibilidades são infinitas meu caro …

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