Plínio Bortolotti

Indignados: “Os novos bárbaros”

Meu artigo publicado na edição de hoje (2/6/2011) do O POVO.

Arte de Hélio Rôla (clique para ampliar)

Os novos bárbaros
Plínio Bortolotti

As revoltas jovens, até há pouco restritas aos países árabes ditatoriais, aos poucos contaminam os países europeus democráticos-representativos.

O que acontece?

Acontece que o mundo das corporações políticas e sindicais está morrendo e perderam capacidade de responder aos anseios daqueles que pretendem representar.

O movimento dos jovens foge dos padrões conhecidos e por isso deixa atordoados os políticos. Os manifestantes não estão submetidos às diretrizes de um partido ou sob as palavras de ordem de sindicatos. Em vez de um exército disciplinado, são uma espécie de novos bárbaros indignados (mas pacíficos), querendo explodir de dentro para fora as muralhas das Romas modernas.

As pessoas deixaram de confiar na casta de políticos que, submetida à lógica das corporações econômicas, apartou-se dos problemas reais, obviamente, sem esquecer-se de preservar seu próprio bem-estar. Na Espanha, os jovens desafiam os políticos a viverem com 500 euros mensais, como eles têm de fazer.

Na Grécia, os mais velhos juntam-se aos jovens, recusando-se a pagar o preço da crise econômica. “Ladrões”, gritaram em frente ao Parlamento.

Isso não significa rejeitar democracia, ao contrário, é um desafio pelo seu aprofundamento: as pessoas querem falar por elas mesmas, influir nas decisões diretamente. Se uma nova ordem econômica se impõe no mundo, novas formas de organização do espaço político também se tornam prementes.

No Brasil, também assistimos a revolta (ainda silenciosa) contra os políticos, agravada a cada caso como esse do Palocci – cujas ações podem ter sido “dentro da legalidade”, como dizem os seus defensores, mas, certamente, colide com a ética. Afinal, o sujeito se elege para representar os seus eleitores ou para ficar rico?

Mesmo em situação econômica ascendente, creio que no Brasil apenas se tolera, discordando-se profundamente, dos malfeitos dos políticos. Por isso, não será surpresa se o movimento dos indignados espraiar-se também por aqui.

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