Plínio Bortolotti

CBF quer apropriar-se do uniforme da seleção; seria o mesmo que privatizar a bandeira do Brasil

Arte: Hélio Rôla (clique para ampliar)

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), dirigida por Ricardo Teixeira, quer tornar-se dona da famosa  “amarelinha”, o uniforme da seleção brasileira de futebol. Apropriar-se da camisa amarela seria o mesmo que alguém arvorar-se dono da bandeira do Brasil.

Justiça?

Matéria publicada na Folha.com informa que a Justiça do Rio de Janeiro condenou a Coca-Cola, em segunda instância, a indenizar a CBF por utilizar, em comercial veiculado na TV, no ano passado, ex-jogadores da seleção brasileira vestindo a camisa amarela.

Mais casos

A Caixa Econômica Federal foi advertida, e Mastercard e Cervejaria Petrópolis, acionadas judicialmente pela CBF por, segundo a entidade, vincularem suas marcas à seleção.

Maravilha

No comercial da Coca-Cola, Bebeto, Biro-Biro e Dadá Maravilha vestem camisa amarela, mas sem o escudo da CBF. Pela decisão, nenhuma empresa, grupo ou entidade pode se associar à imagem de um jogador vestindo o uniforme amarelo, mesmo que sem o emblema da CBF.

E, com a iminência da Copa de 2014, no Brasil, é muito provável que novos e diferentes casos surjam, já que a publicidade nacional invariavelmente explora a “amarelinha” em períodos de Copa.

Comentário

Alguém pode dizer: tudo bem, são empresas grandes, podem pagar advogados caros, elas que se virem. Mas o problema é que uma entidade privada, a CBF, quer tomar para si algo que é um símbolo que pertence a todos os brasileiros.

E ainda: quem teria mais direito de vestir a camisa amarela, mesmo que seja para fazer comerciais, do que os jogadores que suaram com ela em campo?

Que a CBF proíba o uso de seu escudo, até aí tudo normal, mas apropriar-se do uniforme da seleção é algo inaceitável.

Veja a matéria na íntegra, com o vídeo dos comerciais, na Folha.com.

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