Plínio Bortolotti

Alogoritmos: os novos gate keepers

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Em um desses debates de que participei, em que a imprensa – chamada de “velha mídia” – é surrada sem piedade, e as redações de jornais são consideradas nada menos do que uma sucursal do inferno, normalmente por uma certa esquerda equivocada (que costuma enaltecer a internet como a nova força revolucionária mundial), me atrevi a dizer que chegaria o dia em que sentiríamos saudades dos velhos gate keepers. Isto é, dos editores que selecionam o que entra e o que não entra na edição do dia, ou seja o “porteiro” das notícias.

A bolha

Por sugestão da professora Eloísa Vidal, vi o vídeo em que Eli Pariser, autor de “The Filter Bubble: What The Internet is Hiding From You” (“A bolha-filtro: O que a internet está escondendo de você”), diz que os gate keepers não foram mandados embora, mas sim substituídos por novos gate keepers: os algoritmos, manejados pelo Google, Facebook e outras redes. Pariser falou em uma conferência da TED (Tecnologia, Entretenimento, Design).

Os novos gate keepers – os algoritmos -, sem a mesma ética dos “velhos” editores, estão olhando o que você clica em primeiro lugar, por isso, em vez de uma dieta equilibirada, você pode estar recebendo “informação lixo”, diz Pariser.

Veja o vídeo: tem 9 minutos.

[Também pode ser visto diretamente na página TED, com voz e legenda mais sincronizados e outras opções de legenda, além de português]

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4 Comentários

  • Eduardo Cruz disse:

    Plinio, é bom demais a cadeira que você ocupa numa mídia hegemônica. Experimenta vir para o lado de cá.
    Pergunta ao MST o que ele acha da mídia velha.
    Bom demais comentar do lado daí.
    Difícil é engolir o que a mídia hegemônica – da qual você faz parte – vomita – sem nenhuma regulação – na mente do povo brasileiro.
    Pimenta na mente dos outros é refresco…

  • Eduardo Cruz disse:

    “Ética dos velhos editores”: muito bem dito, a ética dos donos dos jornais.
    Já que você acha que essa nova ética dos algoritmos é perigosa, imagine a ética dos jornais da mídia corporativa.
    No lugar de abordar a Privataria Tucana, aborda o suposto tiro dado por Adriano. Ótima pauta. Quanta ética!!! Magna cum laudes!!!
    Te desafio: quero ver você encabeçar um movimento no O Povo para debater a democratização na comunicação.
    Imagino até a capa: O Povo conclama você a debater a comunicação no Brasil.
    Sei que você não fará; é mais cômodo dizer que há os que falam mal da mídia porque nada sabem de comunicação.
    Assim é modus operandi da velha mofada mídia brasileira. Só ela tem a oportunidade larga de dizer para muitos e muitas vezes.
    Mas a resistência está aí.

    • Plínio Bortolotti disse:

      Caro Eduardo,

      Caso queira saber o que penso do assunto, você pode pesquisar no meu próprio blog (escreva “regulação” ou “regulamentação” no item “Pesquisa”, acima, do lado direito do blog), que aparecerá alguma coisa.
      Estou sempre disposto a debater o assunto, de preferência ancorado em fatos, com menos adjetivos, apesar de reconhecer que cada qual têm o direito de proceder como melhor lhe aprouver, desde que não agrida e nem desrespeite aqueles que tenham ideias diversas.
      Sempre compareci a debates aos quais fui convidado, inclusive, em um deles, com alunos de um curso de Jornalismo que a UFC estava ministrando para jovens do MST.

      Agradeço a leitura e o comentário,
      Plínio

  • Lima disse:

    Oi Plínio,

    ótimo assunto, o desse post. Eu devo confessar que não gosto nem um pouco de como os antigos gate keepers trabalham, mas tenho muito mais medo dos novos, os programas escritos pelas grandes corporacoes de internet.

    Explico: sei o que esperar da maioria dos donos de jornais do Brasil. Então se um jornal dá a manchete A, eu sei que devo entender B, uma vez que compreendo o jornal como um veículo orgânico com interesses próprios e variados, inserido num contexto. Já a internet é muito nova e enxergar onde ela vai dar é tarefa das mais complicadas.

    Compreendo a frustracao do Eduardo aí acima, embora não concorde com seu tom. Mas no caso da mídia convencional a saída é simples: pressionar. Eu mesmo escrevi emails cobrando dO Povo a abordagem do crime ambiental cometido pela Chevron. E fui atendido. Jamais escreveria para O Globo ou para Veja.

    Agora e como se faz quando uma grande corporacao organiza um Google Bomb contra você? Imagine se o seu patrao digita seu nome completo entre aspas no google e encontra fotos de sua esposa nua, você bêbado vomitando, ou o depoimento de uma ex-namorada virulenta?

    Todo cuidado com a internet é pouco. É uma ferramenta muito nova e desconhecida, além de extremamente poderosa.

    Bem, era isso. Abs e um feliz 2012,

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