Plínio Bortolotti

Duas ou três coisas que José Castello disse

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O jornalista e escritor José Castello esteve em Fortaleza esta semana para participar dos Debates Universitários O POVO. Revi as poucas anotações que fiz – estava na correria da organização do evento – e separei algumas frases anotadas.

Aí vão elas

♦  “Conhecer o texto de Clarice [Lispector] me abalou profundamente e me marcou definitivamente.” [Disse que a primeira vez que leu “A Paixão Segundo G.H.”, ainda adolescente, caiu doente.]

♦  “As palavras são sempre insuficientes, mas a palavra é tudo o que a gente tem.”

♦  “Jornalismo e literatura são regiões limítrofes: crônica é o coração do limite que separa o jornalismo da literatura.”

♦  “O jornalismo literário está na fronteira com a literatura, mas não é literatura.”

♦  “A ideia de que você está sempre aprisionado é a desculpa do jornalista medroso para não exercer a sua liberdade.” [Contestando que a censura interna dos jornais impede o jornalismo crítico.]

♦  “Um repórter sem sensibilidade, será meio repórter.”

♦  “Ninguém faz jornalismo sem paixão; se não houver paixão, é melhor buscar outra profissão.”

♦  “A fantasia, a imaginação, a ficção, fazem parte do trabalho jornalístico, mas isso não significa mentir.” [Afirmando que o jornalista tem de usar esses atributos em seu trabalho.]

♦  “É importante que o jornalismo mais ‘humano’ não se transforme em literatura de segunda classe.”

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2 Comentários

  • júlia lopes disse:

    Acredito muito no jornalista que mergulha “na fantasia, a imaginação, a ficção” sem deixar de ser sincero, honesto. Porque a vida precisa de sedução.

    Mas será que isso acontece com todos os tipos de pautas? Fico pensando que em alguns casos não é possível – como numa denúnica, por exemplo. Não se trata de invenção nos outros casos, mas de uma extrema secura de emoção, nesses. Viajei?
    🙂

    Até mais, Plínio!

    • Plínio Bortolotti disse:

      Júlia,

      O uso da “fantasia, imaginação e ficção” só posso entender, e assim aceitar (como penso ter entendido da fala de José Castello), se for na preparação da pauta, nos caminhos que se escolhe para conduzir a matéria, nas pessoas que se escolhe para entrevistar. Ao se escrever o texto, tudo isso tem de ser submetido ao método jornalístico.

      Plínio

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