Plínio Bortolotti

“A longa espera HGF”: criança fica quase um ano esperando por cirugia

Meu artigo publicado na edição de hoje (24/5/2012) do O POVO.

"Pé de olho", de Hélio Rôla

A longa espera no HGF
Plínio Bortolotti

Semana passada, publiquei artigo mostrando que uma menina de dois anos de idade estava na fila do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), havia cerca de um ano, esperando pelo procedimento de desobstrução das vias lacrimais. A cirurgia foi marcada, mas não devido à publicação do artigo.

Foi o seguinte. Tomei conhecimento da apuração do fato antes de ser publicado. Como a matéria seria editada no fim de semana, pedi autorização à editora para divulgar a informação. No mesmo dia em que entreguei meu texto para publicação (quarta-feira), ligaram do HGF avisando à editoria de Cotidiano que a menina seria atendida, o que não fiquei sabendo ao escrever o artigo.

Mas, vejam, o hospital se movimentou somente depois de saber que o jornal apurava o caso para publicar a notícia, complementação de matéria, divulgada há oito meses, quando a menina já esperava pelo procedimento havia três meses. Mais: o HGF nem mais se lembrava da criança: foi avisado pelo jornal.

No mesmo dia em que saiu o artigo, recebo e-mail de uma das assessorias do HGF, revelando “indignação ao máximo”, pois, segundo ela, a informação de que fora marcada a cirurgia havia sido “sonegada” por mim.

Respondi que não tinha a informação ao escrever o artigo. Mesmo que a tivesse, afirmei, o mesmo argumento se manteria, pois nada mudava o fato de a criança ter esperado 11 meses pela cirurgia, só marcada quando a direção do HGF tomou conhecimento de que o jornal preparava nova matéria sobre o assunto. Além disso, outras 46 crianças continuam na fila de espera.

Sei que o problema de atendimento médico não é só no HGF – e não se limita aos hospitais públicos. Quem paga hoje um plano de saúde está passando por situações parecidas. No entanto, o problema, longe de desculpar, condena a todos.

PS. 1) Não divulgo qual das assessorias do HGF escreveu, nem o nome da pessoa que assinou o texto, pela insistência de que o e-mail era “manifestação pessoal”. 2) Médicos de Natal estão usando Twitter para denunciar falta de vagas para crianças em UTIs, os daqui poderiam fazer o mesmo.

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