Plínio Bortolotti

Quem quer aparecer?

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Meu artigo publicado na edição de hoje (24/1/2013) do O POVO.

Quem quer aparecer?
Plínio Bortolotti

Os Ferreira Gomes costumam arreliar-se quando chamados de “provincianos”. Têm razão quando isso manifesta preconceito contra aqueles procedentes de cidades interioranas, pois o provincianismo, no sentido de “mentalidade atrasada”, é um mal que não escolhe a origem das pessoas.

Pelo menos os de atividade pública, os Ferreiras Gomes têm o sestro de achar que todos os discordantes de seus procedimentos são mal-intencionados, corporativos, quando não “ladrões”,”vagabundos”, “babacas” ou “burros”, nos dizeres do mais descortês entre eles. Agora, eles são éticos, honestos, dedicados ao serviço público (poderiam estar, pensam, ganhando muito dinheiro na iniciativa privada, mas escolheram servir o povo, etc.), por isso tudo o que fazem precisa ser aceito reverencialmente, sem questionamentos impertinentes.

Cid Gomes, o governador, que por algum tempo manteve comportamento de estadista, parece estar escorregando para uma verborragia inócua, não fosse prejudicial à democracia. Como menosprezar o Ministério Público, classificando o procurador-geral de Contas do Estado, Gleydson Alexandre, de “garoto que deseja aparecer” e, para isso “fica criando caso”.

O “caso” que Alexandre criou foi questionar o cachê de R$ 650 mil (mais de meio milhão de reais) pagos a Ivete Sangalo para cantar na inauguração do Hospital Regional da Zona Norte, em Sobral, terra dos Ferreira Gomes. Quem quereria aparecer mais, pode-se perguntar, o procurador ou o governador e seus correligionários, que pegaram carona para discursar à multidão reunida para ver a cantora baiana?

Em questão de mania de grandeza, poder-se-ia lembrar do show de Plácido Domingo, que, pela bagatela de R$ 3,3 milhões, cantou para três mil escolhidos do governador (ou seja R$ 1.100 por convidado) na inauguração do Centro de Eventos.

Mas, em matéria de aparecer, continuam imbatíveis as voltas que o governador deu, em uma motoneta amarela (sem capacete), durante a campanha eleitoral de seu candidato à Prefeitura de Fortaleza.

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6 Comentários

  • Paulo disse:

    Perfeita a análise.

  • Silvana Dias disse:

    Ainda bem que temos jornalista que possa se insurgir contra a postura do governador. Parabéns!!

  • Carlos disse:

    Parabéns pelo comentário. A mais pura realidade, doa em quem doer…

  • REGINA disse:

    Parabéns pelo artigo.

    O pior é saber que todo esse dinheiro que o governo está gastando com shows megalomaníacos, é a verba da cultura que deveria ir para os equipamentos culturais, Museu do Ceará, Casa de Juvenal Galeno, Theatro José de Alencar, Sobrado Dr. José Lourenço, Arquivo Público… que hoje correm o risco de fechar devido à falta de orçamento para programação e contratação de funcionários. O governador que só enxerga o Dragão do Mar devia olhar um pouco mais para esses equipamentos que hoje estão funcionando com o mínimo de sua capacidade.

  • Gilberto Ribeiro Sampaio disse:

    Senhor Bortolotti; extremamente competente e apropriado o vosso comentário, realmente nosso Ceará em pleno perigo de mais um ano de seca, nosso povo sertanejo todo sofrendo limitações as mais diversas, seria um destino muito mais importante para toda esta verba gasta pelo Sr. Governador. Realmente estou de acordo com vossas colocações, mesmo sabendo que alguma coisa tem sido feita para minorar o sofrimento dos nossos irmãos sertanejos, mas não é hora de cantarmos, talvez sim: de chorarmos com a fome e a sede que nos acerca.

  • Prof. Araujo disse:

    Como é bom ler o Plínio Bortolotti!!!

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