Plínio Bortolotti

O caso das associações de vereadores: “Eu não estou ameaçando…”

Meu artigo publicado na edição de hoje (7/2/2013) do O POVO.

Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla

“Eu não estou ameaçando …”
Plínio Bortolotti

Henrique Alves eleito presidente da Câmara dos Deputados; Renan Calheiros na presidência do Senado, os dois do PMDB. Ambos, suspeitos de corrupção, tornaram-se, respectivamente, o 2º e o 3º na linha de sucessão presidencial.

No domingo, reportagem do jornalista Carlos Mazza mostrou novo modo de (má) conduta dos vereadores de Fortaleza.Usando associações de fachada, eles recorrem à burra pública para se locupletarem de votos, e sabe-se lá mais do quê, já que muitas vezes – segundo o Ministério Público – prestam contas com notas frias.

(Não estou entre os que criminalizam a política, mas suas excelências podiam ajudar um pouco.)

Pelo menos oito vereadores controlam associações que levaram dinheiro em 2012 (o silêncio na Câmara, após a matéria, indica que o número deve ser maior). Os nobres edis utilizam-se de emendas parlamentares ou de convênios com a Prefeitura para requisitar recursos da municipalidade. No total, foram R$ 7,089 milhões. Sem contar que a Câmara custa ao contribuinte R$ 114,7 milhões por ano e, para cada vereador, despendem-se R$ 688 mil (atualmente são 43).

E o que fazem essas associações? Oferecem assistência social e festas – obviamente apresentadas como se fossem benemerência dos vereadores. Por consequência, transformam-se em indústria de cabalar votos. São comitês eleitorais disfarçados, ou nem tanto, sustentados pelo dinheiro público (o seu, o meu, o nosso).

Os vereadores negam proximidade com essas entidades, apesar da vinculação evidente. Os mais ousados fazem propaganda ou gabam-se de serem “idealizadores” do negócio em páginas da internet. Fariseus passando-se por bons samaritanos.

O campeão da caradura é o vereador Eulógio Neto (PSC), cuja associação, presidida por seu irmão, promove festas que levam seu nome, como o “Arraiá do cumpade Eulógio” e o bloco de pré-Carnaval “Elógico que eu vou”. Criatividade a toda prova.

Abordado pelo repórter, Eulógio saiu-se com esta: “Este tipo de reportagem sobre associação não é legal não. E a legislatura está começando agora, ainda tem quatro anos por aqui… Eu não estou ameaçando…” Responda você, saqueado leitor, que tipo de gente usa linguagem assim?

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