Plínio Bortolotti

PT: um partido como outro qualquer?

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Artigo publicado na edição de 10/4/2014 do O POVO.

Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla

PT: um partido como outro qualquer?
Plínio Bortolotti

1) O “mensalão” pode não ter sido o “maior caso de corrupção da história” e nem mesmo ter sido operado com dinheiro público. Porém, sem dúvida nenhuma, foi, no mínimo – admitido até pelos réus -, um caso de caixa 2, o que configura crime financeiro.

2) Admita-se que não houve desvio, e que ninguém tenha se locupletado com a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, mas parece não restar dúvida de que foi um péssimo negócio: fosse na iniciativa privada, cabeças já teriam rolado há bem mais tempo.

3) Aceitemos que o vice-presidente da Câmara dos Deputado, André Vargas, é apenas amigo acidental do doleiro Alberto Youssef, que nada tem a ver com as suas estripulias no submundo(?) do crime, mas vamos combinar: o PT já andou em melhor companhia.

O Partido dos Trabalhadores surgiu nos anos 1980 como uma aragem em meio a um ambiente político de velhas raposas e de militantes que emergiam da clandestinidade e do exílio, impregnados do ranço de uma esquerda ainda presa ao Muro de Berlim.

Encantou a juventude, mobilizou a classe trabalhadora, aproximou-se dos deserdados nas Comunidades Eclesiais de Base, de mãos dadas com a Teologia da Libertação, e conquistou também amplas parcelas da classe média. Transformou-se em exemplo para a esquerda latino-americana, conseguiu chegar à Presidência da República – e governa o país há quase 12 anos.

Porém, o partido está se desfigurando de tal modo que seria severamente condenado pelo PT original, este com amigos mais modestos financeiramente, porém incalculavelmente mais ricos na dimensão humana, como Chico Mendes, por exemplo.

Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, e um dos mais importantes líderes do partido, já chegou a propor a “refundação” do PT. Não seria a hora de seus líderes pensarem seriamente no assunto? Pois o PT vem corrompendo sua aura de “diferente”, escorregando rapidamente pela ladeira em direção ao fosso de um partido como outro qualquer.

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1 comentário

  • Paulo Carvalho disse:

    Caro Plínio,
    Essa é também minha percepção com relação ao PT; fui um dos simpatizantes mais ardoroso que se possa imaginar; votei no PT em todas suas demanda eleitorais, mesmo sabendo que, no caso da presidencia da república não seríamos capazes de resolver as mazelas do país em poucos anos de governança, pois há mais de cinco séculos vivemos nesse desmantelo de toda ordem. Não esperava era que o PT fosse se igualar aos demais em práticas e atitudes políticas. Fiquei deveras desolado coma história do mensalão.
    Mesmo assim, ainda acho que a legenda tem condições de corrigir o rumo para voltarmos a termos um partido em que se possar sufragar nossos votos. Pelos menos ainda votarei nos nomes em votei na eleição passada aqui no Ceará, que sabe a nível nacional.
    É isso aí…

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