Política

Opinião: restrições de Bolsonaro a jornalistas têm toque de chavismo

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Nunca em uma posse presidencial em tempos democráticos os jornalistas tiveram tantas restrições para trabalhar. Além da circulação restrita, profissionais tiveram de levar comida em sacos plásticos para lanches ao longo da demorada jornada. Afinal, não havia lugar para servir comida.

As medidas são evidente retaliação do novo governo, incomodado com o noticiário da imprensa. Misto de infantilidade, autoritarismo e intolerância à crítica. Isso é coisa que remete à Venezuela, ao chavismo, que Jair Bolsonaro (PSL) tanto renega.

O PT também não gostava da cobertura dos jornalistas. Chamavam a imprensa de golpista.

Bolsonaro ao assinar termo de posse. (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Olha, a imprensa comete erros e excessos, sem dúvida. Deve ser exercida a crítica e a autocrítica. Porém, isso não é motivo para restringir a liberdade. Não há melhor remédio aos vícios do jornalismo que mais jornalismo, que mais imprensa livre.

Não atentam os governantes, ou fingem não saber, que os jornalistas não trabalham para si próprios. Não querem informação por curiosidade, mas para levar ao público. Quando a ação dos jornalistas é restrita, é a informação que chega ao público que fica limitada.

Resta como opção alguns veículos escolhidos, a comunicação oficial, os perfis dos próprios governantes. O velho e carcomido expediente de escolher quem tem a informação. Modo de tentar controlar a informação, na esperança de restringir a crítica. Outras infantilidade.

Ignora Bolsonaro, ou finge não saber, que assume a gestão de algo que é público. O Estado não é dele. Apenas a ele foi delegada a responsabilidade de administrá-lo. Os governantes que isso ignoraram incorreram nos maiores erros.

Os governantes se incomodam, mas o dever do jornalismo é mesmo de incomodar. De apontar os problemas, de levantar questões. Não é, nunca foi e nunca será papel de jornalista agradar ao poder. Como disse Millor Fernandes: “Quem se curva aos poderosos mostra o traseiro aos oprimidos”.

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