Hoje, o post da coluna Coisas de Jessicalândia será diferenciado, compartilharei com vocês minhas impressões referentes a uma visita que fiz no Centro Cultural Banco do Nordeste da nossa cidade. Meus comentários não representam a ideia de todos os que compõem o Respirando Música, deixo claro que este texto é apenas um desabafo compartilhado.

Cresci culturalmente no CCBNB, desde quando comecei a fazer teatro aquele centro de cultura e arte era uma espécie de templo cultural para mim. Sempre depois da escola corria para ver alguma peça, algum show, assistir um filme, me encantar participando da plateia dos programas de entrevistas do Banco do Nordeste, prestigiar o meu querido Rock Cordel, jogar conversa fora com os amigos e assim foi durante toda a minha vida colegial e parte da vida acadêmica.

CCBNB-Fortaleza em dia de Rock Cordel. Foto: Jéssica Nayanne,

CCBNB-Fortaleza em dia de Rock Cordel. Foto: Jéssica Nayanne.

O que nunca imaginei é que um dia teria a honra de trabalhar naquele local e ter como amigos grandes profissionais que eu admirava e faziam o diferencial na nossa cultura. Trabalhei no CCBNB durante um ano e foi uma das experiências mais incríveis que já tive na minha vida.

Esta semana passei pelo centro da cidade, correndo como sempre, mas decidi tirar 10 minutinhos de um tempo que eu não dispunha para sentir novamente o CCBNB e dar um abraço nos grandes amigos.

Ao entrar, a primeira sensação foi: – nossa, que saudade desse cheirinho. Cumprimentei os seguranças e parei para observar o nosso centro cultural, infelizmente a segunda sensação foi de tristeza. A biblioteca funciona num aperto e algumas atividades seguem da forma que podem. A justiça federal toma cada vez mais o espaço do prédio. A sala administrativa na qual eu e grandes nomes da cultura local trabalhavam, estava quase vazia, poucos amigos ficaram e muitos já haviam sido transferidos. Doeu no coração

Eu e Fernando Pessoa, produtor do Rock Cordel.

Eu e Fernando Pessoa, produtor do Rock Cordel.

Imediatamente lembrei-me do artigo do grande Amaudson Ximenes, músico, produtor cultural e excelente pessoa que tive a oportunidade de conhecer no CCBNB. Amaudson em artigo publicado, no mês de Maio, no blog Rock Nordeste do DN, questiona o desaparecimento do CCBNB-Fortaleza. Ele atribui a descontinuidade das ações de cultura no local a burocracias, entraves e corte de verba para cultura, apesar de haver um grande comprometimento e dedicação dos gestores do Centro Cultural Banco do Nordeste.

Quando saí do Centro Cultural, em julho de 2012, o processo de mudança do prédio já havia se iniciado, esse processo está sem definição real até hoje. Presenciei o esforço dos gestores para resolver em curto prazo um lugar ideal para dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo BNB, o que parece não ter dado certo, pelo menos até agora.

Sinto uma dor pelo CCBNB, lá fui sensibilizada pela cultura, lá aprendi a ter orgulho dos nossos artistas e da nossa arte, lá tive a sorte e o prazer de fazer parte de um lugar que pulsa cultura.

É um pesar muito grande, entrar no nosso centro cultural e ver o prédio tomado pela justiça, funcionando com dificuldade e aperto. É uma pena ver que a luz da grandiosidade do CCBNB-Fortaleza está (espero que momentaneamente) apagando.

O prédio era o nosso Cristo Redentor da cultura no centro da cidade. Podíamos ver e sentir o nosso centro de cultura, de onde estivéssemos, exalando a mais pura arte.

Torço para uma resolução rápida, nossa cultura local suplica por um lugar para viver.