Ancoradouro

Igreja em alta

Quem acompanha os noticiários e assuntos polêmicos nos últimos meses pode chegar à – errônea – conclusão, que a Igreja Católica esteja em baixa, isso devido às críticas dirigidas a ela de forma constante e veemente.

Essa instituição bimilenar acumula a experiência evangélica da perseguição e se reinventa a cada tempo difícil.Isso é comprovado ao se lançar um olhar na história.Em seus inícios os primeiros adeptos foram perseguidos, martirizados e renegados. Dessa época foi dita a célebre frase de Tertuliano,”o sangue dos mártires é a sementeira de novos cristãos”.

O tempo passou, a Igreja tornou-se religião oficial do império, outros acontecimentos terríveis sobrevieram e uma resposta a cada um deles foi dada.
Nos tempos atuais as perseguições não cessaram e procura-se a todo custo que a Igreja abra mão de seus valores. Nesta perspectiva seria estranho ver estampadas em jornais, manchetes como: Igreja aprova o uso de contraceptivos; é a favor da descriminalização do aborto, etc. Tais coisas iriam contra o seu princípio de defender a vida em plenitude, logo, ela estaria minando seus alicerces e pondo em risco sua missão.

A Igreja foi comparada por seus primórdios a uma barca e entre os cristãos ficou conhecida como a barca de Pedro. Esta não foi construída para navegar nas águas mansas, mas foi feita para singrar no mar revolto e tempestuoso.Bento XVI afirmou em seu discurso inaugural que esta “pequena barca foi, não raro, agitada por ondas fortes, lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até ao ponto de chegar à libertinagem; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo, e por aí adiante”.

A tempestade atual é o relativismo prático e as vagas do materialismo, consumismo, hedonismo e panteísmo pós-moderno.

No mundo hodierno faltam pessoas e grupos que sejam fiéis a seus princípios e valores. A Igreja é uma das poucas que sustenta com convicção seu ideal,por conta disso acontece um fenômeno: Quanto mais ela é perseguida por difundir, com Coerência e fidelidade seu pensamento e doutrina, mais ela se solidifica. Ainda que perca quantitativamente, em números de fiéis (se é que se pode chamar de fiéis), por exemplo, ganha de forma qualitativa no vigor dos que permanecem e atrai para si pessoas de todos os segmentos da sociedade carentes de algo que lhes dê as resposta que buscam e até então não encontraram.

Contempla-se  em meio ao cenário ermo e inóspito florescimento  no mundo católico. Uma via é aberta no deserto, como profetiza Isaías. Prova disso são as, chamadas Novas Comunidades que surgiram nas últimas décadas, cresceram e fizeram a Igreja atingir os que estavam mais distantes.

No seio destas novas expressões eclesiais predomina o engajamento de jovens e das famílias.Caso particular se dá em Fortaleza devido ao grande número destas expressões laicas católicas, tendo inclusive, uma delas reconhecimento por parte da Sé romana. Trata-se da Associação internacional de fiéis Comunidade Católica Shalom, cujo fundador é Moysés Azevedo e co-fundadora, Maria Emmir.

Estas Novas Comunidades são marcadas pelo desejo de seguir os ensinamentos de Jesus Cristo incondicionalmente, sendo fiéis à Igreja e respectivamente à tradição e ao magistério.
Elas são constituídas por leigos que estão inseridos em todos os setores da sociedade e funciona como fermento na massa, como luz no mundo.
Assim todos se deparam com o instigante e inexplicável caso da Igreja que é criticada e cresce, que é perseguida e, paralelamente fortificada, é recalcada e, misteriosamente torna-se esplendente.

A Igreja está em alta, não nos parâmetros usados na normalidade, mas segundo os princípios que a constituem e a impulsiona rumo à eternidade.Deste modo é um exemplo para pessoas e instituições que se perdem na fumaça da história por deixarem para trás seus ideais,princípios e valores por conta da ditadura do relativismo que não responde aos anseios mais profundos do coração humano.

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