Ancoradouro

Um mês depois da tragédia de Brumadinho, membros do Shalom relatam a experiência de “chorar com os que choram”

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“Hoje, dia 25 de fevereiro, faz um mês da tragédia e estamos aqui em Brumadinho participando das homenagens que a cidade preparou, também nos colocando à disposição em trabalhos voluntários no auxílio aos irmãos necessitados. A cidade se veste de branco, que simboliza a esperança de paz, e continua com o coração apertado pela dor”. O relato é de Maria Cecília Fontes Morais. A jovem deixou o curso de Engenharia Civil, há seis anos,  para se dedicar à missão na  Comunidade Católica Shalom. Está prestes a completar  três anos na Missão do Shalom de Belo Horizonte.

Cidade homenageia vítimas de Brumadinho.

Há trinta dias, o Brasil ficou consternado com a tragédia de Brumadinho, nas Minas Gerais. Uma barragem de rejeitos se rompeu pondo fim a boa parte daquela  cidade. A catástrofe anunciada deixou 171 mortos e 139 desaparecidos. Para marcar a data foi realizada nesta segunda-feira, dia 25,  uma Celebração Eucarística na Igreja de São Sebastião presidida pelo Núncio Apostólico – representante do Papa, no Brasil –  Dom Giovanni d’Aniello.

Missa foi presidida pelo representante do Papa.

 

Ao final da Santa Missa foi feita uma comovente homenagem às vítimas e familiares de Brumadinhos. O bispo auxiliar dom Vicente de Paula Ferreira cantou uma canção composta especialmente para a ocasião. Enquanto cantava entravam pessoas com placas em alusão às vítimas.

Cecília e demais missionários prestaram apoio e solidariedade  aos familiares das vítimas da pior catástrofe com barragem do país. “Fomos ao encontro das famílias que estavam no Instituto Médico Legal, sofrendo a perda de entes queridos, para consolar com a presença, um sorriso e com a oração. Uma experiência de que nosso único consolo é Deus”, explica a missionária.

Um mês depois da tragédia, o rio da cidade continua enlameado.

Confira o relato de uma missionária sobre esse período

“Quando vi na TV a dor daquelas pessoas não consegui segurar um choro, uma dor como se fosse a minha. Não podia ficar parada diante de tudo, então vi na televisão que as famílias estavam sendo orientadas a virem para o IML em BH , foi no mesmo momento que uma irmã da Comunidade me ligou e resolvemos ir até lá para fazer algo, o que não podíamos era ficar paradas diante de tamanha dor.

Quando chegamos lá, fomos orientados pelos policiais (que foram muito receptivos) e encontramos uma família de um trabalhador de uma empresa terceirizada. O sentimento que eu tinha era do próprio Cristo, quando consolava a família de Lázaro. Não tem como descrever a dor… Mas ao mesmo tempo via como eles estavam gratos por alguém estar ali, ouvindo, consolando mesmo no silêncio, e assim foi em todo o tempo que estivemos lá.

Pessoas desesperadas,que queriam respostas e não tinham e quando nos viam com um copo de água, uma fruta, um abraço elas se sentiam consoladas. Foi quase uma semana de ida ao IML e eu ainda sinto a dor daquelas famílias. Tenho contato com uma delas  que perdeu um rapaz e choro toda vez que a irmã partilha de sua dor.

 

Ao fim vejo que minha vida é derramada por estes, assim como foi a vida de Cristo, somos chamados a ter o rosto Dele em nosso rosto, chorar com os que choram, sofrer com os que sofrem, ser sal da terra e luz do mundo …Esse é o sentido de uma vida consagrada a Deus.”

Erika Santos de Lima de Alencar Quintino, Missionária da Comunidade Shalom, Missão de Belo Horizonte.

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