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Quem disse que os Mamonas Assassinas precisam de legado?

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Muito tem se discutido sobre a existência ou não, de um legado da banda Mamonas Assassinas neste dia em que faz 20 anos que o quinteto morreu de forma trágica na Serra da Cantareira. Há quem defenda a importância do grupo no contexto musical dos anos 1990 e há quem não os ache tão relevantes e que não há legado a ser defendido. Nem oito nem 80.

Se estamos falando de algo que revolucionou a música brasileira, de fato, não há nada de muito significativo deixado pelos rapazes de Guarulhos-SP. Eles nem foram tão originais. O Raimundos, antes do Utopia virar Mamonas já fazia sucesso com rock pesado, muito escracho e palavrões, com a vantagem de serem menos preconceituosos.

Letras de algumas das canções dos Mamonas não têm cabimento nos dias de hoje -ainda bem. O que falar de “Robocop Gay”, que reproduz estereótipos de um dos grupos sociais mais achincalhados e oprimidos do mundo? Ou mesmo “Chopis Centis”, que  é um puta som, mas com uma letra que faz troça daquele trabalhador humilde que é a base da nossa pirâmide social? Temos ainda “Jumento Celestino”, outra sonzeira, mas cuja letra reproduz de forma jocosa o estereótipo do nordestino que vai a São Paulo tentando melhorar a sua vida e a de seus entes queridos.

Obviamente que os tempos eram outros e o entendimento das pessoas também. Eles não estavam a serviço da homofobia, da xenofobia ou de qualquer tipo de preconceito. Pelo menos não de forma consciente. Eram rapazes que faziam música para se divertir, embora seja fato que se alguns dos seus sucessos fossem lançados hoje, certamente ofenderia muita gente. E os ofendidos teriam toda razão, pois ninguém deve apanhar calado.

Ocorre que seus produtores viram ali uma oportunidade única de ganhar dinheiro. E as pessoas enxergaram nos Mamonas algo genuíno e engraçado. Sobretudo as crianças e adolescentes, que acabaram virando a principal fatia do público-alvo da banda, quando vendeu 2,4 milhões de discos, entre 1995 e 1996. Essa gente (na qual me incluo) se divertia com as piadas dignas da falta de noção e da escatologia adolescentes. Isso gerou uma identificação por parte dos fãs.

É preciso ressaltar também a qualidade musical do quinteto enquanto músicos. Que o diga o Utopia, que nada mais era do que os Mamonas falando com seriedade sobre diversos assuntos. Qualidade essa que seria suficiente para a banda se reinventar, caso não tivessem nos deixado.

Mas voltando ao tal do legado. Acredito que os Mamonas estavam se lixando pra isso. A preocupação maior e legítima era ganhar a vida honestamente fazendo o que mais gostavam, que era a música. E acho que não há legado maior do que haver debate sobre a banda 20 anos após as mortes de seus integrantes. Não há nada mais importante do que ainda estarem vivos na memória de fãs que ainda lembram com carinho daqueles tempos. Eu tinha seis anos quando Dinho e seus camaradas morreram, e, até hoje, tenho algumas canções dos Mamonas Assassinas no meu celular. Então vamos deixar de masturbação intelectual neste blog e dá o play aí.

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