Clube da Luta

Fala, Mestre: Fernando Moura comenta o UFC 132

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Wanderlei foi nocauteado aos 27 segundos de luta

Grandes emoções na edição 132 do Ultimate Fighting Championship (UFC), na noite de ontem, em Las Vegas. O evento entrou para a história como o dia do ressurgimento de um grande lutador, que precisava de uma vitória para continuar no torneio, o veterano norte-americano Tito Ortiz. Grande volta também de Rafael dos Anjos, que conseguiu um surpreendente nocaute no início de combate.

Mas não foi o dia do retorno tão esperado do curitibano Wanderlei Silva. Em apenas 27 segundos, o “cachorro louco” foi nocauteado por Chris Leben. Veja aqui o vídeo. Já Dominick Cruz precisou dos cinco rounds e de valiosos pontos para manter seu cinturão contra Urjiah Faber, numa disputa extremamente equilibrada. Para comentar o UFC 132, o blog Club da Luta convidou Fernando Moura, professor de Sanda/Boxe Chinês, técnico de MMA e instrutor de Jiu Jitsu.

Fernando, como muitos brasileiros, assistiu o UFC 132 contando os meses, semanas, dias e horas para a edição do evento no Rio de Janeiro, em agosto. Mas enquanto esse dia não chega, vamos aos comentários dos combates de ontem. Para ele, o evento, como sempre, foi espetacular. “Essa edição teve vários nocautes, difícil até de escolher o melhor. Participação de dois brasileiros, um no card principal – o Wanderlei Silva – e o outro no card preliminar –  Rafael dos Anjos -, com resultados totalmente opostos. Rafael nocauteou rapidamente e, infelizmente, Wanderlei foi nocauteado em instantes. Tito Ortiz fez as passes com a vitória, além de uma grande luta principal”.

A melhor luta da noite foi mesmo a principal. “Uma disputa de cinturão com cinco rounds, todos como se fossem o primeiro”, destaca Fernando. Ele aponta ainda o exemplar preparo físico de Cruz e Faber, que protagonizaram intensa trocação de golpes. “Isso em estilos completamente diferentes de luta. Golpes longos, com movimentação incansável e boas quedas. O outro, com mais punch, e muita experiência. Digna de disputa de cinturão e luta principal”.

Fernando aponta ainda que Cruz esteve sempre um pouco melhor em todos os rounds e que a luta poderia ser definida até o último instante para ambos os lados. “Parabéns ao Domique Cruz. Uma grande revanche, a única derrota na carreira dele tinha sido para o Faber”. O professor lembra que Faber, muito querido nos EUA, após algumas derrotas na categoria acima (66 kg) – uma delas para José Aldo, na qual perdeu o cinturão –  resolveu descer de peso para tomar o cinturão do Cruz. “Mas Cruz, com um jogo mais contundente de muita movimentação, com 1,73m, lutando na categoria de até 62 kg, fez o que devia, usou golpes longos, evitando a luta corpo a corpo, assegurou a vitória e o cinturão”.

Sobre o brasileiro Wanderlei Silva, Fernando só lamenta. “Não deu nem para avaliar nada (um nocaute instantâneo desses!). Não deu para ver, na verdade, como estavam preparados os atletas”. Mesmo assim, o professor ressalta que Wanderlei não precisa provar mais nada a ninguém. “Ele é uma lenda do MMA. Seu próprio adversário da noite se apaixonou pelo esporte vendo-o lutar, lado a lado, com o Minotauro (o maior nome do MMA no Brasil)”.

Quanto o assunto é a aposentadoria do brasileiro, Fernando acredita ser uma atitude difícil, principalmente para quem tem um espírito como o de Wanderlei, competitivo e superador. “Porém avalio – e certamente alguns podem discordar –  que, no auge de sua carreira, ele era uma máquina de bater. Trocou a qualidade técnica pela explosão e velocidade, coragem, espírito competitivo. Mas, com o passar do tempo, essa explosão diminui, e aí, o que fazer se a sua arma principal está desgastada? Ele foi o melhor e é muito querido, mas quem sou eu para dizer que ele deveria parar…”.

SERVIÇO:

O professor Fernando Moura dá aula na Academia New Planet. Mais informações pelo telefone 3271-0171.
Seu twitter é @fernandomourav8.

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