Clube da Luta

Coluna: mulheres se destacam em diferentes funções no MMA cearense

Camila Albuquerque, Viviane Sucuri e Aucilene Garcia: três mulheres que se destacam no MMA cearense. Foto: UFC/Divulgação/Cojack Matias.

Engana-se quem pensa que a presença feminina no MMA cearense se resume às atletas que entram em ação para lutar. Além de nomes de projeção internacional, como Viviane Sucuri, que representa o Estado no elenco de lutadoras do Ultimate Fighting Championship (UFC), outras mulheres ocupam lugares de destaque no esporte.

Para se ter uma ideia, o nome de maior projeção na arbitragem do Ceará é uma mulher: Camila Albuquerque, que depois de despontar atuando como árbitra central em mais de 130 combates no cenário nacional, chegou ao UFC em 2015, onde atua desde então e é presença certa em quase todas as edições realizadas no Brasil. Filiada à Comissão Atlética Brasileira de MMA (CABMMA), ela foi e continua sendo a 1ª brasileira a atuar na função de árbitro central no UFC.

As mulheres cearenses também esbanjam talento na função de ring girl, as garotas que mostram as placas dos rounds das lutas. Elas são presença certa em todos os eventos de MMA de médio e grande porte do Estado, desfilando charme e elegância na ‘passarela’ do octógono.

Elas fazem sucesso além das terras alencarinas. Uma delas, Jeane Gomes (pernambucana radicada em Fortaleza), concorreu até como Ring Girl do 2017 no Prêmio Osvaldo Paquetá, considerado o Oscar do MMA nacional. Elas também se destacam na torcida:as mulheres dividem quase que meio a meio a presença nas arquibancadas e cadeiras dos eventos locais, ocupando diferentes papéis, sejam elas mães, filhas, companheiras ou apenas amantes da arte marcial. Vale lembrar que, além de Viviane Sucuri, outras mulheres também se destacam como lutadoras no Estado: Mabelly Lima, Rosy Duarte, Marília Fanta e Ilara Joanne.

O pioneirismo de Aucilene: a 1ª cutwoman cearense

Aucilene Garcia saiu de Quixeramobim para fazer história. Ano passado ela se tornou a 1ª mulher do Norte-Nordeste a atuar como cutwoman (do inglês ‘mulher do corte’), a profissional responsável pelos cuidados médicos dos atletas antes, durante e depois das lutas. É dela a missão de garantir a integridade física dos atletas, passando vaselina no rosto dos lutadores, preparando bandagens, estancando sagramentos e tratando cortes que surgem durante a luta.

A cutwoman também é acionada para prestar os primeiros socorros em casos de nocaute nas lutas, quando acompanha a recuperação dos lutadores nocauteados, até que eles retornem ao estado de consciência sem riscos. A entrada de Aucilene no ramo ocorreu a convite do marido, Régis Reinaldo, que também atua na função (na versão masculina chamado de cutman). Ela passou a acompanhá-lo e já ostenta um currículo com participação nos principais eventos de MMA do Estado, como Limo Fight, Action Fight e Aspera FC. “Eu tenho experiência em urgência e emergência e assim fica mais fácil na hora do atendimento”, explica, a técnica de enfermagem e socorrista do SAMU Ceará.

Em entrevista à coluna, Aucilene conta que gostaria de se dedicar mais a profissão de cutwoman, mas a vida corrida, entre trabalho e faculdade, a impede. “Objetivos no esporte como profissional, se surgir, serão ótimos. Até o momento me dedico ao trabalho e à faculdade de enfermagem. Gosto do Muay Thai e pretendo retomar o esporte em breve. Pelo pouco tempo que venho tendo, não tenho conseguido conciliar o esporte”, conta ela, que tem 37 anos.

Régis, marido de Aucilene, destaca que, com pouco tempo de atuação, ela é reconhecida e admirada por profissionais renomados. “A arbitragem a trata com todo respeito e reconhece nela a boa profissional que é. O Cezani Moutinho, que é árbitro dos principais eventos de MMA pelo país, sempre rasga elogios à sua atuação”, revela o marido e principal incentivador de Aucilene.

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