Discografia

Falando de amor

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Por Camila Holanda (@camilasholanda)

Mais conhecido por seus trabalhos em novelas, Alexandre Nero lança seu terceiro disco solo, Vendo Amor (Discobertas) e explora seu viés romântico. O amor é o tema principal do novo projeto, que traz diversas situações proporcionadas por este sentimento tão complexo. O disco é uma boa experiência musical, os arranjos são bem trabalhados, lembrando as fanfarras, com a presença do acordeon misturando-se aos instrumentos de percussão e sopro, assim como o piano.

Sonoplasta, compositor, músico, arranjador e cantor, Alexandre já foi premiado diversas vezes por seu trabalho musical, assim como por sua atuação. O som que ele faz é bem independente e experimental, retratado em Vendo Amor, que traz letras leves e agradáveis, assim como arranjos bem elaborados.

As composições passeiam pelo sexo e até pela melancolia de um adeus. A maioria delas é do curitibano, mas há regravações surpreendentes, como Não aprendi dizer adeus, com letra e música de Joel Marques e consagrada nas vozes da dupla sertaneja Leandro e Leonardo. A ousadia é equiparada à de Tiê, quando decidiu rearranjar Você não vale nada.

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Alexandre também musicou um poema de Domingos de Oliveira (autor, ator e diretor), chamado Domingos. Ele aparece no filme Separações, dirigido pelo próprio compositor e protagonizado também por ele e por sua mulher, Priscila Rozenbaum. No poema, o sexo aparece de forma bonita e romântica, ao mesmo tempo que selvagem e primitiva. Enfim, humana.

Entre as formas de amor exploradas no disco, Cuecas e calcinhas canta o construído e consumando pelo cotidiano, o sentimento que há na convivência rotineira de um casal. Mas também mostra o selvagem, em Saia: “Perca a cabeça, seja tronco, seja membros. Deitada, suada lábio a lábio. Úmida e molhada, toda despenteada na cama de quem ama”.

Outro destaque é a música Carinhoso, de João de Barro e Pixinguinha. Por mais que o tempo passe, ela continua clássica e os arranjos das novas gerações sempre deixam que a canção continue atual.

O disco é uma obra íntima e romântica de Alexandre Nero, porém, foge do tradicional e não cai no piegas. É um projeto audacioso, porém, fácil de agradar, pois trata de assuntos que atingem a todas as pessoas e de uma forma bem articulada.