Discografia

Ao lado de Fagner, Amelinha apresenta Janelas do Brasil em Fortaleza

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Foto: Camila Holanda

A ideia era que tudo fosse uma grande celebração, um encontro de amigos, um sarau daqueles que se faz na sala de casa. Assim foi a apresentação de Amelinha em Fortaleza, na última sexta-feira (9), no anfiteatro do Centro Dragão do Mar, quando apresentou pela primeira vez em sua terra o repertório do disco Janelas do Brasil. Lançado em 2012 pela gravadora Joia Moderna, o projeto minimalista, focado apenas na voz doce da cantora e nos violões de Dino Barioni, rendeu um desdobramento ao vivo, lançado este ano pela Lua Music. O melhor desse projeto de voz e violão é o quanto ele se mostra informal, leve e aconchegante. E foi assim que a cearense se mostrou ao longo de mais de duas horas, sempre comemorando a presença de amigos na plateia. Nem mesmo o público diminuto dos primeiros momentos do show (segundo a própria artista, por conta de uma falha da produção local) foi capaz de tirar seu brilho no palco. Foram 25 músicas, que iam brotando da garganta privilegiada e em boa forma de Amelinha. Demonstrando um certo nervosismo nos primeiros momentos, ela intercalava canções com discursos, às vezes longos e deslocados. Mas tudo ganhava perdão naquele clima de “tudo é permitido”. O convite para o amigo de longa data Raimundo Fagner subir ao palco deixou esse clima ainda mais forte. Cantando junto, rindo e demonstrando intimidade, era impossível não reconhecer naquele encontro o ponto alto do show. A presença de Fagner nos palcos locais é tão forte, que Amelinha nem se incomodou de emprestar seu palco para o amigo fazer algumas canções sozinho. “Vou ali tomar um vinhozinho”, brincou ela, tentando sair de fininho. “Venha cá. A Amelinha tomando vinho é um perigo”, devolveu Fagner, cuja ordem foi atendida imediatamente. Sobrou até para Fausto Nilo, que, segundo o convidado, não havia ido ao show por que fora acometido por uma dor de barriga. As brincadeiras se seguiram com o cantor impressionado por que a amiga não sabia cantar uma linha seque de seus grandes sucessos, como Deslizes ou Borbulhas de amor. Mas, ali, tudo estava permitido. Amelinha ainda chamou ao palco o compositor Amaro Penna, para dividir Para seguir um violeiro. No entanto, qualquer convidado que subisse depois do Fagner teria uma missão complicada pela frente: a de trazer o público de volta para o chão. Mais uma vez sozinha no palco, Amelinha emendou seus velhos sucessos, cujos arranjos para dois violões se mostraram proporcionalmente vigorosos. Encerrando a apresentação com Ave Maria, Amelinha mostrou que vive um momento de graça e comunhão com a própria carreira. Fica a torcida para que seu retorno ao Ceará não demore tanto.

Repertório:

foto1. Galos, noites e quintais (Belchior)
2. Terral (Ednardo)
3. O silêncio (Zeca Baleiro)
4. Dia branco (Geraldo Azevedo/ Renato Rocha)
5. Noites de cetim (Herman Torres/ Sérgio Natureza)
6. Ponta do Seixas (Cátia de França)
7. Felicidade (Marcelo Jeneci/ Chico César)
8. Depende (Fagner/ Abel Silva) com Fagner
9. Mucuripe (Fagner/ Belchior) com Fagner
10. Pobre bichinho (Fagner) com Fagner
11. Asa partida (Fagner/ Abel Silva) com Fagner
12. Flor da paisagem (Robertinho do Recife/ Fausto Nilo) com Fagner
13. Canteiros (Cecília Meirelles/ Fagner) somente Fagner
14. Borbulhas de amor (Juan Luiz Guerra/Vrs.: Ferreira Gullar) somente Fagner
15. Deslizes (Paulo Massadas/ Michael Sullivan) somente Fagner
16. Quando fugias de mim (Alceu Valença/ Emmanoel Cavalcanti)
17. Galope rasante (Zé Ramalho)
18. Légua tirana (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira)
19. Pra seguir um violeiro (Amaro Penna) com Amaro Penna
20. Foi deus que fez você (Luiz Ramalho)
21. Onde anda você (Hermano Silva/ Vinicius de Moraes)
22. Ai quem me dera (Vinicius de Moraes/ Toquinho)
23. Mulher nova, bonita e carinhosa (Zé Ramalho/ Otacílio de Souza)
24. Frevo mulher (Zé Ramalho)

Bis:

25. Ave Maria (Vicente Paiva/ Jayme Redondo)