Discografia

Marcos Lessa com suingue e champignon

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DSC_1330Durante os anos 1960, um nome foi onipresente nas paradas de sucesso brasileiras. Era Wilson Simonal, cantor carioca que temperou a bossa nova com doses fartas de soul music e bom humor. De origem humilde, ele tornou-se uma estrela capaz de lotar estádios para repetir, por minutos seguidos, seu refrão mais famoso, que dizia “meu limão, meu limoeiro, meu pé de jacarandá”. Na mesma velocidade que subiu, o artista viu seu nome sumir das paradas quando se envolveu numa polêmica envolvendo uma suposta fraude contábil e agentes da Ditadura Militar. Quando faleceu em 25 de junho de 2000, Simonal não era sequer uma sombra do que foi décadas atrás.

Em 2009, Wilson Simoninha e Max de Castro, filhos de Simonal, resolveram resgatar a memória do pai com um longo projeto envolvendo livros, documentário e muitos shows. O cantor cearense Marcos Lessa decidiu entrar nesse movimento de “anistia” de Simonal e aceitou o convite do Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga para apresentar um tributo ao crooner carioca em 2013, que vai ser repetido este fim de semana na Caixa Cultural. Batizado de Show em Simonal (mesmo nome do programa que Simonal teve na Rede Record), o tributo conta ainda com Tito Freitas (piano), Dudu Holanda (violão e guitarra), Miquéias dos Santos (baixo), Roberto Marçal (bateria) e Tiago Rocha (sopros).

“Me identifiquei muito com a voz, com o repertório e com esse processo de anistia do Simonal. Logo na época que montei o show, pensei em não fazer só no festival. E quem vai gosta, ou por que lembra da época ou por que são canções dançantes, com arranjos modernos”, conta Marcos Lessa, que pensou no tributo depois de assistir o documentário Ninguém sabe o duro que eu dei (2009), de Micael Langer, Calvito Leral e Cláudio Manoel. Desde então, além de ter lançado o Show em Simonal em DVD, o cearense sempre ter mina seus shows com uma das canções desse repertório, onde se destaca sua preferida, Sá Marina.

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O Show em Simonal de Marcos Lessa apresenta os dois lados do homenageado: tanto sua porção mais séria, que o fez um dos mais completos intérpretes da Bossa Nova, como a porção bem humorada, que ficou conhecida como pilantragem. Por telefone, ele até deixou escapar um trecho do ensaio onde passava Minha namorada. “Tem esse lado bem romântico, bem jazzístico, com muito improviso, e também o lado baile. E é um show que procurou mostrar os lados B, coisas menos conhecidas”, adianta ele, que já teve a aprovação do herdeiro Simoninha, com quem fez um dueto na última edição do Festival UFC de Cultura. “Quando estava montando o show, mandei uma mensagem pelo Facebook e disse que ia fazer a homenagem. Ele adorou, deu parabéns e quando chegou pra fazer o show, sugeriu pra gente cantar o Sá Marina”, lembra.

Com 23 anos, Marcos Lessa dedicou boa parte da vida a estudar música, mesma carreira do pai. Com dois discos gravados e diversas participações em projetos alheios, ele teve seu momento de maior exposição quando participou do reality show The Voice, no ano passado. De lá pra cá, vem colhendo os bons frutos que o reconhecimento nacional lhe trouxe. Um deles é justamente esta temporada na Caixa Cultural, que aguardava aprovação desde o início do ano passado. Já envolvido com as gravações do terceiro disco, Marcos Lessa agora analisa as melhores formas de seguir em frente. “Existe uma preocupação que é a coisa de ficar ex-BBB, um ‘ex-não sei o quê’. Mas o The Voice foi a ampliação do meu trabalho. É incrível o poder de abrangência, o carinho que cresceu pra mim em Fortaleza. Agora, depende muito de um posicionamento meu daqui pra frente”.

Serviço:
Quando: sexta-feira (7) e sábado (8), às 20h; domingo (9), às 19h
Onde: Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). À venda no local
Outras informações: 3453.2770