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Terceiro Grande Encontro chega a Fortaleza com Elba, Alceu e Geraldo Azevedo

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No dia 3 de dezembro, chega a Fortaleza a nova versão do Grande Encontro. Celebrando os 20 anos do projeto original, o espetáculo versão 2016 colocará, lado a lado, no Centro de Convenções, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho.

Diferente do primeiro encontro, que contava com o reforço de peso de Zé Ramalho e era totalmente acústico, o novo encontro vem acompanhado de uma banda formada por Marcos Arcanjo, Paulo Rafael (violões e guitarras), Ney Conceição (baixo), Meninão (sanfona), César Michiles (flauta), Anjo Caldas (percussão) e Cássio Cunha (bateria). O cenário de Gringo Cardia também aponta para um luxo mais visual, contrário ao fundo preto da primeira versão.

Segundo o que foi adiantado pela assessoria do show, o repertório vai misturar sucessos já certeiros – Anunciação, Belle De Jour, Canção da Despedida, Moça Bonita e outras – com algumas novidades inéditas. Elba e Geraldo dividiram com Toni Garrido (Cidade Negra) a composição de O Melhor Presente, escrita em Trancoso, Bahia. Geraldo também apresenta Só Depois de Muito Amor, parceria com Abel Silva, enquanto Alceu apresenta Ciranda da Traição. Ausente de corpo, mas presente em vibrações, Zé Ramalho será reverenciado com Chão de Giz e Frevo Mulher.

https://www.youtube.com/watch?v=zEshAUqugDs

Quando lançado em 1996, O Grande Encontro mostrou a força da música nordestina estabelecida no Sudeste a partir dos anos 1970. Elba, Zé, Alceu e Geraldo cruzaram décadas com um mistura forte de influências que passam pelo rock progressivo, psicodelia, forró, baião, blues e bossa nova. Os quatro juntos são filhos artísticos de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Pink Floyd, Beatles, Stones, Tom Jobim e outras boas maluquices.

Quando reunidos no palco, cada um acompanhado do seu violão, acabaram cometendo um clássico gravado em julho de 1996. O CD vendeu mais de um milhão de cópias e, ainda hoje, mantém sua força e atualidade. A cumplicidade do quarteto fica evidente no repertório primoroso. Detalhe: o fato desse repertório ser interpretado só com violões reafirma a força de uma aura nordestina que passa pelos cantadores de feiras e chega à raiz da composição popular brasileira.

Um segundo encontro foi gravado em estúdio em 1997, já sem o mesmo impacto do primeiro e sem Alceu Valença. No estúdio e com a produção refinada, embora correta demais, de Robertinho de Recife, faltou punch ao trabalho, aquela energia que um bom ao vivo mantém tensa. Um pouco dessa energia aparece no terceiro volume gravado ao vivo em 2000. Pra compensar a ausência de Alceu, eles trazem o reforço de Moraes Moreira, Belchior e Lenine em participações especiais.

O fato é que um nome tão simples, O Grande Encontro, tornou-se uma marca forte ainda hoje lembrada pelos fãs de música brasileira. Muita gente copiou o modelo e até muito se sonhou um “grande encontro cearense” que nunca saiu do travesseiro dos fãs de Fagner, Ednardo, Belchior e Amelinha. Esses três últimos ensaiaram algo semelhante com um projeto batizado equivocadamente de Pessoal do Ceará. Apesar de ter muito encanto, o encontro tinha mais cara de projeto de gravadora querendo surfar na onda do momento do que de um grupo amigos realizando o sonho de tocar juntos.

Não li muito sobre o novo Grande Encontro, mas fico curioso de saber como ficou essa terceira versão oficial do projeto. Sim, por que ele já gerou frutos como uma turnê em conjunto de Geraldo e Elba (batizado Um Encontro Inesquecível) e um show de rock nordestino dos primos Elba e Zé Ramalho no Rock in Rio de 2001. E que esse projeto gere outros e perdure confirmando o peso da sanfona com guitarra, da tradição que olha pra frente, de Raul Seixas, Dominguinhos, Sivuca, Patativa do Assaré, do rio São Francisco e de outros deuses que habitam estas bandas do País.