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Sinfonia Amazônica: o primeiro longa-metragem brasileiro de animação

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“Senhoras e senhores, eis a produção do primeiro longa-metragem de animação brasileiro. É um trabalho árduo, mas Deus é brasileiro e vamos conseguir”.

cinemaAssim começa Sinfonia Amazônica, o primeiro longa-metragem brasileiro de animação, que estreou nos cinemas em 1953 e que foi exibido na edição de 2009 do festival Anima Mundi, em uma homenagem aos irmãos Latini. Em 2008, o longa foi exibido na Cinemateca do MAM pelo Cineclube Brasilis.

Logo no início do filme, o espectador é apresentado a um pequeno making of da produção. Nele vemos o desenhista Anélio Latini Filho, fascinado pela arte da animação, produzindo sozinho todos os elementos da produção: cenários, personagens, animações…

Foram aproximadamente quinhentos mil desenhos produzidos diariamente das 8 da manhã até as 4 da madrugada do dia seguinte, durante quase seis anos, e muita boa vontade para produzir o longa que conta a história de sete lendas amazônicas, entre elas a do choro do Urutau, que deu origem ao Rio Amazonas, e a do surgimento da noite.

Inspirado na superprodução Fantasia, de Walt Disney, Anélio escolheu peças clássicas de Wagner e Mendelsohn como trilha sonora, mas vários outros ingredientes ajudam a marcar a brasilidade da obra: os cenários inspirados na floresta amazônica, os personagens inspirados nos habitantes e na fauna nativa; e uma leve dose de humor do narrador, que ilustra vários momentos com comentários informais, como um momento em que os guerreiros enfrentam grandes ondas em busca da cobra grande para receber a noz de tucumã. Eis que o narrador comenta: “É, a coisa não tá fácil não, companheiro!”

Outro ponto alto do filme é o momento em que surge como trilha sonora a flauta de Altamiro Carrilho em uma musica composta especialmente para o filme por Mario Latini, irmão de Anélio, em um dos mais famosos ritmos brasileiros: o samba.

Aliás, dizem alguns animadores que nesse momento Anélio conseguiu animar com perfeição os sambistas que Disney não foi capaz de fazer no curta Aquarela do Brasil, de 1942.

Hoje em dia existe um grande trabalho para trazer de volta ao público esta obra que, durante muitos anos, ficou esquecida nos corredores da cinemateca nacional. O descaso teve como consequência forte desgaste na imagem e no som do filme.

Márcia Latini, sobrinha de Anélio, é uma das pessoas que está à frente do projeto, que inclui, entre outras coisas, a restauração de uma das poucas cópias disponíveis no mundo e sua passagem para meio digital.

Ainda existe muita dificuldade em conseguir recursos, mas aos poucos a Arwel Art, produtora criada especialmente para executar essa restauração, vai seguindo seu trabalho.

Resta torcer para que logo tenhamos Sinfonia Amazônica totalmente restaurado e sendo exibido com mais frequência em nossas salas de projeção.

Fonte: Gabriel Cruz (Designer e cineasta de animação)

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