Entre Aspas

Os Espiões

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O livro é baseado em fatos reais. Formei-me em letras e na bebida busco esquecer; é assim que o narrador, o funcionário de uma pequena editora, começa a sua aventura — no melhor estilo le Carré. Uma de suas funções na editora é examinar os originais que chegam pelo correio, caem do teto, entram pela janela, brotam do chão… Ou são jogados em sua mesa pelo chefe-amigo Marcito. O primeiro envelope branco chegou numa terça feira, vindo de uma cidade chamada ‘Frondosa’, por pouco não foi jogado na cesta de lixo. Dentro do envelope estavam quatro folhas, as primeiras páginas de um romance, enviado por uma tal Ariadne. Ariadne conta a origem do nome, adianta algumas coisas de sua vida, promete contar o restante e sugere um suicídio no final. Intrigado pela letra trêmula, a falta de vírgulas e a florzinha desenhada no lugar do pingo do i, o funcionário conta com a ajuda dos amigos do bar do Espanhol, numa missão de espionagem, na pequena ‘Frondosa’, para evitar uma possível tragédia — e publicar o livro. Está lançada a Operação Teseu — nitidamente baseada no mito de Teseu e Ariadne.

O grupo de espiões inclui: Dupin, revisor da editora e professor do cursinho pré-vestibular; professor Fortuna, que não era professor, o sabichão e fiel cliente do bar; Fulvio Edmar, um escritor em busca de vingança. Como toda cidade do interior, Frondosa possuía suas lendas e personagens excêntricos; Rico, Paraguaio e Dona Loló, eram merecedores de tais títulos. Juntando esse time de personagens, coloca-se um pouco de ironia, humor, cenas inacreditáveis e influencias de grandes escritores — seja em citações obvias, nomes de personagens conhecidos e cenas parecidas, métodos e histórias verídicas, que um fiel leitor de policial e espionagem nota de primeira — o resultado é uma confusão das boas — com um final inimaginável, bem Fernando Verissimo. O mito de Ariadne ao contrário.

Luis Fernando Verissimo nos leva para o centro de Frondosa, e nos coloca diante de personagens engraçados, situações inusitadas, mas sem deixar de fora o sarcasmo e o humor. O livro é curto, e a leitura é bem gostosa.

 

 

Texto e Imagem: Eduardo Sousa

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