Plínio Bortolotti

Juazeiro do Norte, onde reina Padre Cícero

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De um pequeno vilarejo; uma capelinha, algumas poucas de casas de taipa – distrito de Crato -, Juazeiro transformou-se em uma das cidades mais importantes do Ceará, meca de romeiros de todos o Brasil. Obra e graça de Cícero Romão Batista, o Padre Cícero, Padim Ciço, ou simplesmente “meu Padim”.

É um santo popular: aos seus devotos pouco importa se a Igreja Católica o puniu, proibindo-o de ministrar os sacramentos, devido ao famoso episódio das hóstias que se tingiam de sangue na boca da beata Maria Araújo [1889]. Ele continuou abençoando seus humildes romeiros em vida e continua intercedendo por eles junto ao Pai, depois de morto para a vida terrena: para os que têm fé essa é a mais pura expressão da verdade.

Juazeiro

Cheguei a Juazeiro do Norte à tarde, fui até a Basílica Nossa Senhora das Dores, onde aconteceu o milagre das hóstias.  É no pátio dessa basílica onde no mês de setembro ocorre a Missa do Chapéu, reunindo milhares de romeiros.  [A colega Rita Célia Faheina faz uma correção: informa que a Missa do Chapéu é realizada em todas as romarias de Juazeiro, e se dá na despedida dos romeiros.]

Feira

O entorno da Basílica, inclusive parte de seu pátio, é uma enorme feira popular, onde se confundem o sagrado e o profano. As barracas e pequenos comércios vendem de tudo: artigos religiosos brilhantes, a maioria [cruzes que piscam, imagem de Padre Cícero que se acende], um quadro de Cristo cujos olhos se viram para você de qualquer ângulo que você o olhe, brinquedos eletrônicos, roupas, sapatos, muitas barracas com jogos de panelas e material para cozinha, CDs piratas, bijuterias, brinquedos. Bares e muitas pousadas, “ranchos” e hospedarias baratas, onde não para de entrar e sair romeiros.

Igual

Pelo interior, talvez pelo meu tipo “caucasiano”, talvez pelo boné e óculos escuros [faz muito sol e os dias são muito claros pelo interior], percebo que as pessoas observam discretamente quando passo. Se entro em alguma loja, a pergunta é inevitável: “Tu não é daqui não, é?”

Mas, no meio dos romeiros, todos se igualam. Ninguém parece se espantar com as diferenças. Sou apenas mais um no meio da multidão, mesmo com uma mochila às costas e o aparato descrito acima.

[Várias orientações sobre Juazeiro me foram dadas pelo médico Danúzio Carneiro, que nasceu e morou até a adolescência na cidade, meu amigo de longa data.]

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