Plínio Bortolotti

Rita de Queluz e O POVO

Meu artigo publicado na edição de hoje (11/4/2013) do O POVO.

Rita de Queluz e O POVO
Plínio Bortolotti

Arte: Hélio Rôla (clique para ampliar)

Arte: Hélio Rôla (clique para ampliar)

A homenagem que O POVO recebeu ontem, na Assembleia Legislativa, me fez lembrar um dos episódios de que mais gosto na rica história do jornal e de seu fundador, Demócrito Rocha.

Em fins de 1927, Demócrito já anunciara a criação de um novo jornal, mas continuava como “diretor literário” (o que equivaleria hoje a editor de cultura) de O Ceará, jornal de Júlio Ibiapina – um dos grandes jornalistas cearenses – de quem era amigo.

Algum tempo antes, Demócrito recebera carta de uma menina de 16 anos, Rita de Queluz, que morava em uma fazenda no sertão central. O diretor publicou a carta. Gostou tanto que escreveu para o endereço pedindo mais colaborações – e ela passou a enviar seus escritos regularmente.

Um dia, a mocinha vem com a família para Fortaleza e seu pai a leva para conhecer a redação de O Ceará. Deixemos que a própria Rita de Queluz conte a história:

“Ficava a Redação de O Ceará no antigo prédio da Fênix Caixeiral, perto da Igreja do Patrocínio. Na sala grande, assobradada, de janelas abertas para a praça e para a rua General Sampaio, era a Redação. E, enquanto o pai conversava com Ibiapina […], a moça foi levada à mesa do diretor literário (que para esse mister usava o nome de Barão de Almofala). Era um homem de cabelo revolto, olhos salientes, inteligentíssimo, boca de riso fácil. Acabou de escrever umas linhas, levantou-se devagar da cadeira, estendeu a mão e perguntou à menina:

– Então, você existe mesmo?

A menina era eu; o diretor, o Barão de Almofala, era Demócrito Rocha.”

Rita de Queluz era ninguém menos do que Rachel de Queiroz – e ali nasceu uma grande amizade. Rachel escreveu no O POVO até o fim de sua vida.

PS. 1) O texto de onde extraí o trecho Rachel o escreveu como abertura do livro Demócrito Rocha – O poeta e o jornalista, de Moreira Campos e João Alfredo Montenegro. 2) O escritor Raymundo Netto vem contando a história do O POVO em suas crônicas. Na próxima quarta-feira sairá a 7ª crônica, das 12 que serão publicadas.

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