Varanda Casa Azul

O que eu aprendi em uma startup que (ainda) não é sucesso

Texto por Marcus Coelho, da Digital Influencers. Marcus é empreendedor por consequência. Publicitário pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing de Influência, generalista em música, fotografia, esportes e política, redator casual e entusiasta do empreendedorismo de suor e não de palco.

Nota: o texto é do começo da Digital Influencers, Nov/2017.

 

Sim. Sou empreendedor em uma startup. Não. Minha startup não conquistou o milésimo cliente, não vale dezenas de milhões, não tem centenas de funcionários e muito menos um escritório com sinuca, videogame e cerveja liberada. A verdade é quase o contrário. Minha startup só tem seis meses de mercado, não chegamos nem ao centésimo cliente (apesar de perto), temos mais sócios que funcionários e ficamos em um coworking (apesar de ser um muito legal).

Mas antes de se perguntar porque diabos você está lendo o relato de uma pessoa que não é conhecida e não tem uma startup de sucesso, se pergunte se já passou ou não por essa fase. Se não tiver passado, é uma oportunidade raríssima de entender um pouco mais sobre empreender com quem ainda tem muito o que provar e não mais uma história de alguém que já venceu. Mas se você já tiver passado por isso, tenho certeza que vai se identificar, então ajude quem ainda não chegou lá e espalha essa mensagem.

Bom, pra contextualizar, a Digital Influencers, startup da qual sou CEO, (sim, os nomes bonitos começam desde cedo) passou por pré-aceleração, aceleração, investimento anjo e pré-seed, ou seja, provavelmente estamos no caminho certo, mas com certeza ainda muito longe do sucesso. Dito isto, vamos ao título: o que aprendi em uma startup que ainda batalha pra ‘chegar lá’?

  1. Onde fica o ‘chegar lá’?

Tem gente que fala que se você não sabe onde chegar não vai chegar em lugar nenhum, bom, não é bem assim. No começo esse ‘lá’ é tão distante que tentar defini-lo é como tentar ver outra galáxia usando óculos de grau. O curioso é que esse lugar você não inventa, ele vai começando a fazer sentido com o tempo. Conforme avançamos tudo vai ficando mais claro e você vai descobrindo qual sua grande meta, seu grande objetivo ou propósito como empresa. Hoje a DI tem um ‘lá’ razoavelmente definido, mas por algum tempo simplesmente querer fazer a melhor solução possível e muito gás pra trabalhar foi o suficiente pra nos fazer avançar bastante.

Com isso aprendi que você não precisa ter medo de seguir seu instinto no começo, siga-o, mas lembre que O QUANTO ANTES esse lugar for definido, melhor. Então não se acomode, tudo vai ficando mais claro com o tempo e você tem que ficar atento pra perceber o momento de definir muito bem suas metas ou redefini-las.

2. Números e planilhas são amigos confiáveis.

Essa lição foi difícil pra mim que sou de humanas (agradeço ao meu sócio engenheiro por ter sido crucial nisso). Comece a pegar números de tudo desde o começo. Na DI demoramos pra usar números ao nosso favor e isso fez com que decisões óbvias demorassem a ser tomadas. Você pode ter UM cliente, anote todos os números em relação a ele: quanto pagou, se houve taxas, quantos produtos comprou, quantas vezes lhe visitou antes de comprar, quanto tempo passou na sua página, tudo que conseguir.

Com isso aprendi que números e planilhas, mesmo não dizendo muita coisa no começo, são MUITO importantes. O dia em que eles vão fazer a diferença fatalmente vai chegar e você vai agradecer por tê-los.

3. Errei feio, errei rude.

A mão de obra em uma startup early stage é bem limitada, assim como o dinheiro. E mesmo sendo o momento mais delicado de errar, pela escassez inerente ao estágio, é onde mais feio erramos, chega a ser irônico. Nós, por exemplo, gastamos dinheiro com o que não deviamos, contratamos errado, perdemos tempo com besteiras, fomos enganados, jogamos fora atividades finalizadas antes de implementar porque não pensamos o bastante antes de executá-las. Mais ainda, fomos pra balada quando não deveríamos, viajamos quando a empresa precisava de nós, relaxamos demais em alguns momentos, afinal, somos jovens na DI, 24 anos na média, e é difícil abrir mão da vida que você quer hoje pela vida que você quer amanhã.

Com isso aprendi a não relaxar na empresa, se tudo está meio sem emoção, nada melhor que provocar um caos pra voltar a ter foco. Mas também aprendi que tudo isso faz parte da loucura que é pra um jovem empreender, principalmente em um país que muito pouco fala, ensina e incentiva empreendedorismo.

4. Nem todo mundo quer roubar sua ideia e/ou te passar a perna

Já vi bastante gente ter medo de contar sua ideia/projeto/negócio com medo de copiarem ou roubarem. Bullshit. Se tem algo que vale mais que dinheiro é uma boa conversa com alguém que sabe mais que você. E tem muita, MUITA gente que sabe mais que você. Só com um pensamento de abundância, de que há espaço pra todo mundo, que você vai conseguir os conselhos mais valiosos que já teve e dar verdadeiros saltos de melhora como pessoa, empreendedor e empresa.

Com isso aprendi que estar aberto a aprender é algo decisivo em um negócio. Foi fazendo questão de conversar com outras pessoas que conseguimos um sócio fundamental, clientes, melhorias de produto, funcionários, investidores, e outras conquistas.

Conclusão? Nenhuma! Simplesmente não existe o certo ou uma conclusão correta. Esse é só um testemunho que pode te ajudar muito ou ser completamente inútil na sua vida.

Vendo minha startup por um real se alguém provar que nunca errou em um negócio, principalmente numa startup. Claro que alguns erram mais e outros menos, normal. O importante é não perder o tesão. Sim, tesão. De fazer dar certo, de querer provar que é capaz, de correr atrás. Como disse, estou fazendo esse relato no momento em que passo por tudo isso, então amanhã posso perceber que só falei besteira. Mas estar correto não é o objetivo do que escrevo, mas sim ajudar quem também está empreendendo ou pensando em empreender.

As vezes a gente se desespera achando que está fazendo tudo errado, que as pessoas que a gente admira nunca passaram por isso, que não somos capazes e que provavelmente tem algo de muito errado com a gente. Calma. Talvez você precise mais de um testemunho real e sincero de quem ainda não chegou lá, como esse, do que estudar cases grandiosos e fórmulas de sucesso que mais parecem religiões. Entenda o seu momento, respire fundo e tenha em mente que você não precisa ter a história igual a de ninguém, mas sim seguir o seu caminho, criar a sua história e se orgulhar dela independente de onde você chegar. Essa sim foi a maior lição que aprendi.

Acha que te ajudei de alguma maneira? Então lembre-se que não sou famoso ou conhecido e que ainda estou na batalha todos os dias, ou seja, pense duas vezes antes de só se interessar por cases de sucesso. Converse mais com a comunidade local de empreendedores e pessoas próximas que empreendem, eles tem muito a acrescentar avocê e você a elas também!

Então boa sorte! Pra você e pra mim!

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