Ancoradouro

"Prostituta, mamãe" [4]

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O deputado  federal Jean Wyllys (Psol|RJ) que ganhou notoriedade pela participação no reality show BBB da Rede Globo chegou à representação pública pela política do coeficiente eleitoral.

Jean Wylly no BBB

Jean Wyllys no BBB

Ativista gay conhecido por não tolerar opinião divergente, se deu à missão de lutar pela profissionalização da prostituição até a Copa do Mundo de 2014. Na proposta do deputado os “profissionais do sexo” seriam beneficiados, entre outras coisas, com aposentadoria especial, como as previstas no art. 57 da Lei 8.213/1991, com  apenas 25 anos de trabalho, enquanto o trabalhador normal se aposenta somente com 35 anos de serviço.

Ao protocolar o Projeto Jean se propôs a usar todos os recursos e contatos que possui na Câmara para obter êxito, mas reconhece um desafio na empreitada que ele denomina de “bancada moralista, a bancada conservadora que reúne evangélicos fundamentalistas, católicos fundamentalistas e conservadores laicos, que não são católicos nem evangélicos, mas são conservadores, hipócritas, moralistas”. As palavras do parlamentar reforçam sua postura intransigente que logo rotula de hipócrita quem ousa discordar de uma tese sua. Assim como no reality show não mede palavras.

Em entrevista ao portal de notícias UOL declarou : “Vou concentrar todos os meus esforços para fazer o projeto tramitar o mais rápido possível, antes da Copa do Mundo. Talvez converse com as lideranças da bancada do PT, que são prováveis aliados, com bancadas de esquerda e com a bancada feminina”.

Deputado Jean Wyllys tem fama de intolerante com quem discorda de suas teses.

Deputado Jean Wyllys tem fama de intolerante com quem discorda de suas teses.

Nem precisava que o tratado aprovado pela Organização das Nações Unidas que  discutiu  a Convenção Internacional do Tráfico da Pessoa Humana e da Exploração Sexual  redigisse em seu texto que prostituição é incompatível com o principio da dignidade humana, para evidenciar que a venda do próprio corpo para subsistência  é  ato degradante.

Tornar a prostituição uma profissão  é transformá-la em  aspiração, fim,  meta. Se já cresce o número de jovens  atraídos pelos ganhos pecuniários nesta prática imagina com incentivo. E o que dizer da exploração sexual?

Os defensores da profissionalização da prostituição não reclamem quando, porventura,  ouvirem de seus filhos sobre que profissionais desejarão ser ao crescer, a resposta: “prostituta, mamãe”.

O projeto

Difícil aceitar que a aprovação de tal projeto reduza a exploração sexual como  defende o deputado. “A regularização da profissão do

No projeto do deputado "casa de prostituição" deixará de ser crime.

No projeto do deputado “casa de prostituição” deixará de ser crime.

sexo constitui instrumento  eficaz ao combate à exploração sexual, pois possibilitará a fiscalização em casas de prostituição e o controle do Estado sobre o serviço”. Em suma, é a mesma lógica que usa na defesa da legalização da maconha como forma de combater o tráfico. Em ambos os casos, teses insustentáveis.

O texto da justificativa chama a atenção por uma frase, “Como demonstrado, não existe prostituição de crianças e adolescentes”. Mas a aprovação de tal projeto que dá status de profissão a uma prática degradante não despertará nas crianças e adolescentes justamente o  interesse e aspiração em se tornar um…Profissional do sexo?

Mas a audácia do ex-bbb continua. Com o referido projeto se pretende mudar o Código Penas que prevê nos art. 228 e 231 punição para quem facilita ou promove a prostituição ou exploração sexual. O projeto de Jean deseja distinguir as duas coisas tornando a primeira permitida e a segunda condenável.

Casa de prostituição – também condenada no Código Penal – ganha um novo nome, cooperativa de prostituição. Pois o projeto permite que as prostitutas exerçam o “trabalho” de modo autônoma ou cooperada. ”  As casas de prostituição, onde há prestação de serviço e condições de trabalhos dignas, não são mais punidas”, prescreve o texto.

O projeto utópico e insano diz mais: ” Além disso, a descriminalização das casas de prostituição (1) obriga a  fiscalização, impedindo a corrupção de policiais, que cobram propina em troca de silêncio e de garantia do funcionamento da casa no vácuo da legalidade; e (2) promove  melhores condições de trabalho, higiene e segurança”.

A “facilitação” da entrada no território nacional ou do deslocamento interno de alguém que nele venha a ser submetido à exploração sexual deve ser  criminalizada conforme proposta dos artigos 231 e 231. Na proposta de Jean,não. Ele explica: ”  Muitas vezes a facilitação apresenta-se como auxílio de pessoa que está sujeita, por pressões econômicas e sociais, à prostituição. A facilitação é ajuda, expressão de solidariedade; sem a qual, a vida de pessoas profissionais do sexo seria ainda pior”. Em tom angelical conclui o parágrafo, ” Não se pode criminalizar a solidariedade”.

Jean quer mais, a título de combater a disseminação do HIV, utiliza como fundamentação uma pesquisa feita pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (UNAIDS) ,  convocado pelo PNUD e chega à conclusão: “A Comissão também recomenda a despenalização de atividades  sexuais entre pessoas do mesmo gênero, trabalho sexual e consumo de drogas, permitindo assim que as populações vulneráveis tenham acesso a serviços de saúde e ações de prevenção contra o HIV”.

 

 

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5 Comentários

  • Bruno disse:

    Antes de qualquer coisa… Pq “Ativista gay conhecido por não tolerar opinião divergente” Que feio, poderia classificá-lo apenas como Deputado Federal… Conhecido por quem? Pelos TOLERANTES religiosos? kkkkkkkkk

    E olha, intolerância é a principal característica das igrejas cristãs, como a católica. Quer exemplos? Existem milhões por aí… Não tenta pintar essa imagem pros outros pq n cola (pelo menos não para os seres humanos racionais) 🙂

  • Sergio disse:

    Que deturpação da solidariedade. Se eu ajudar uma pessoa a matar outra, eu estou fazendo algo bom ou ruim?

    Esse cara devia ter seu cargo tomado!

  • Katia disse:

    Simplesmente, sem comentários. Estou enojada com a ‘solidariedade’ do deputado.

  • Alzira disse:

    Infelizmente esse é o preço que todos nós pagamos por que vivemos em uma sociedade que consegue eleger, para nos representar, um ex participante de um programa sem nivel nem um como é o BBB. Infelizmente mesmo quem não votou para ele está pagando o preço

  • Bruno disse:

    Alzira,

    1- A grafia correta da palavra “nem um” é “nenhum”

    2- Julgar alguém em função de uma participação em um reality show de entretenimento, ignorando sua formação acadêmica e desmerecendo suas contribuições para pesquisas científicas, é uma demonstração de quão reacionária você é.

    3- Te dou exemplos concretos, apresentando fatos, de grandes aberrações escolhidas pela nossa sociedade para nos representar. Todos heterossexuais, brancos e extremamente religiosos (isso é maioria no nosso legislativo, não é?).

    Dai vc percebe que a quase totalidade de corruptos desse país é hétero, branco e religioso, além de não possuir metade da qualificação do deputado Jean.

    Pagamos ainda o preço pela parcela da população que votou em Collor (hétero, branco e religioso), Itamar (hétero, branco e religioso), FHC (hétero, branco e religioso), Lula (hétero e religioso), Dilma (hétero, branca e religiosa)… Pagamos o preço por escolher os Sarneys, Malufs, Calheiros, ACMs da vida… Pagamos o preço pela ABERRAÇÃO de existir uma bancada de que se auto-intitula religiosa numa casa do legislativo de um ESTADO LAICO.

    Reafirmo, esmagadora maioria desses com graus de instrução inferior ao do Deputado Jean Wyllys, investigados por inquéritos policiais e respondendo à processos criminais (fatos não comuns ao Jean)…

    Seja honesta e fale desses!

    E aí? Hipocrisia das grandes, não é?

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