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Efeito "penas secas" na internet – sobre a fala do vocalista católico e a correção do padre

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Conta-se que um penitente buscou um velho sacerdote para confidenciar  o pecado de  falar mal de uma pessoa, denegrir sua imagem contando  para outros. O padre instruiu como penitência que o jovem pegasse um balaio de ‘penas secas’, subisse ao monte mais alto de sua cidade, jogasse as plumas e em seguida resgatasse cada haste no cesto.

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Impossível  ao penitente realizar a tarefa dada. Da mesma forma irreparável devolver a honra ao denegrido, ir a cada pessoa e  dizer o bem sobre o  que foi vilipendiado.

Agora, imaginemos o mesmo fato em tempos de internet? Com a variedade de redes de compartilhamento instantâneo e a velocidade do tráfego de informações, os efeitos são os piores possíveis. 

A entrevista de Padre Marcelo Rossi à revista Veja partilhando sobre suas dificuldades com integrantes do clero que, segundo ele, o impediram de estar mais próximo do Papa emérito Bento XVI quando esteve no país em 2007 gerou um mal estar na comunidade católica.

O episódio mais recente que dividiu pessoas de um mesmo credo entre “sou deste” ou “sou daquele”  aconteceu quando um sacerdote corrigiu, através de vídeo divulgado na internet, um vocalista católico que em programa de televisão expressou-se mal ao responder a pergunta da apresentadora sobre como eles [a banda] se definiam.  Não bastasse o posicionamento do padre sobre as palavras  do artista, houve réplica da banda divulgada em nota no site. 

Não quero emitir juízo de opinião sobre a fala do cantor e o conteúdo da  correção  do sacerdote, apenas destacar  que o acontecimento se desdobrou de  modo negativo para os dois. E o pior, fragilizou a unidade, dom precioso e sempre construído a muito custo.

Por essa e por outras, todo cuidado é pouco ao comentar fatos, emitir opiniões, principalmente quando se é formador de opinião.

 Juntar ‘penas secas’ na internet é tarefa impossível. Se sai melhor quem segue o conselho do Eclesiastes, de não “joeirar a todos os ventos”.

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4 Comentários

  • Marcos Romano disse:

    Comungo do mesmo pensamento.

  • Csrlos disse:

    Querido, seus comentarios foram muito superficiais e até levianos. A correção que supostamente fez o padre nao tinha sido diretamente as falas do cantor catolico. O padre o fez apos algum internauta juntar dois comentarios num mesmo video para confrontar a posição da Igreja, obviamente feita pelo padre e a opinião heretica do dito cantor que se diz catolico, mas que com suas opiniões não parece ser. Fico imaginando o que se passa na cabeça dos jovens quando idolatram esses cantores.

  • Joshua Lopes disse:

    Concordo plenamente, Vanderlucio!

  • Bruno Mendonça disse:

    Então não se deve advertir quando um irmão procede mal? O padre está certíssimo, e a banda Rosa de Saron, infelizmente, fechou-se inteiramente ao conhecimento da fé que assumem. No blog oficial, a banda se utilizou da Redemptoris Missio para afirmar que a salvação não está na Igreja Católica! Ora bolas, a encíclica nos fala que as pessoas que não conhecem o Cristo, mas vivem no plano amoroso de Deus e são salvas “em virtude de uma graça que, embora dotada de uma misteriosa relação com a Igreja, todavia não os introduz formalmente nela, mas ilumina convenientemente a sua situação interior e ambiental.”
    Concluo com o parágrafo 776 do Catecismo da Igreja Católica: A Igreja, nas mãos de Cristo, é o instrumento da Redenção de todos os homens, o sacramento universal da salvação.
    Se o seu irmão pecar, e “nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos.” (Mt 18, 17)

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