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Perfil ultrarradical católico faz crítica abjeta ao Papa Francisco

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É muito comum que as declarações de pessoas públicas sejam deturpadas pela mídia que pinça apenas algum trecho fora do contexto para chamar a atenção da audiência. Com o Papa não é diferente. 

Página católica sugere que o Espírito Santo não é o inspirador na fé católica.

Página católica sugere que o Espírito Santo não é o inspirador na fé católica.

Foi assim com todos os bispos de Roma nos últimos tempos. Com a ampla popularidade de Francisco e seu jeito simples e coloquial de falar a coisa fica ainda mais enevoada. O conselho para o católico é que não tome como fonte estas declarações retratadas nos veículos de comunicação que não sejam católicos. Procure-se  as fontes originais, o texto na íntegra  que a dúvida logo será desfeita. 

A última polêmica envolvendo Francisco se deu nesta semana quando voltava de sua visita nas Filipinas. Ao responder à pergunta de um jornalista sobre densidade demográfica a imprensa internacional pinçou a expressão “como coelhos”, dita pelo pontífice e montou manchetes do tipo: “Católicos não devem se reproduzir ‘como coelhos’, aconselha o Papa”.  As matérias e interpretações davam a entender que o Papa orientava os católicos a não terem filhos, ou não terem muitos filhos o que é uma mentira.

A página apócrifa Frei Clemente Rojão que mistura ultrarradicalismo  católico   e sátira , no site e no Facebook, tomou como fonte as publicações seculares e desferiu inclementes piadas contra o pontífice, conteúdo propalado por muitos católicos desavisados.

Em uma das publicações abjetas o autor faz a seguinte pergunta, “Mas desde quando a burra de Balaão aconselhou aos cardeais eleitores no último conclave?”, sugerindo que o Espírito Santo não é o inspirador da escolha do Pontífice no Conclave.

Leia a íntegra da resposta do Santo Padre ao jornalista. Mantido o tom coloquial.

“O que eu quero dizer sobre Paulo VI é que a verdadeira abertura à vida é condição para o sacramento do matrimônio. Um homem não pode dar o sacramento para a mulher, e a mulher dar para ele, se eles não estão em concordância neste ponto de estarem abertos à vida. A ponto de, se puder ser provado que este ou aquele se casou com a intenção de não estar aberto à vida, o matrimônio é nulo. É causa de nulidade do casamento, não? Abertura à vida, não?

papa francisco

Paulo VI estudou isso, com a comissão, como ajudar os muitos casos, muitos problemas. São problemas importantes, que dizem respeito mesmo ao amor na família, certo? Os problemas do dia a dia – tantos deles.

Mas havia algo mais. A recusa de Paulo VI não foi somente aos problemas pessoais, para os quais ele dirá aos confessores para serem misericordiosos e entenderem a situação e perdoarem. Serem compreensivos e misericordiosos, não? Mas ele estava observando o neo-malthusianismo que estava em curso. E como se chama este neo-malthusianismo? Há uma taxa de crescimento de menos de 1% na Itália. O mesmo na Espanha. Este neo-malthusianismo que quis controlar a humanidade por parte dos poderes.

Isso não quer dizer que o cristão deve fazer filhos “em série”. Conheci uma mulher há alguns meses numa paróquia que estava grávida de sua oitava criança, que tinha tido sete cesárias. Mas ela quer deixar 7 filhos órfãos? Isso é tentar a Deus. Eu falo de paternidade responsável. Este é o caminho, uma paternidade responsável.

Mas o que eu queria dizer era que Paulo VI não era muito antiquado, mente fechada. Não, ele era um profeta que com isso nos disse para tomarmos cuidado com o neo-malthusianismo que vem chegando. Era isso o que eu queria dizer.

[…]

Eu acho que o número de 3 filhos por família que você mencionou – me faz sofrer – eu acho que é o número que os especialistas dizem ser importante para manter a população “indo”. Três por casal. Quando isso diminuiu, o outro extremo acontece, como o que está acontecendo na Itália. Ouvi dizer, não sei se é verdade, que em 2024 não haverá dinheiro para pagar pensionistas por causa da queda na população. Assim, a palavra-chave, para lhe dar uma resposta, e a que a Igreja usa o tempo todo, e eu também, é paternidade responsável. Como fazemos isso? Com diálogo. Cada pessoa com seu pároco procure como levar a cabo uma paternidade responsável.

Aquele exemplo que eu mencionei antes sobre aquela mulher que estava esperando sua 8ª criança e que já tinha tido sete que haviam nascido por cesárea. Esta é uma irresponsabilidade. Aquela mulher pode dizer: “Não, eu confio em Deus”. Mas, olhe, Deus deu os meios para ser responsável. Alguns acham que — perdoe a expressão – para sermos bons católicos, temos que ser como coelhos. Não. Paternidade responsável. Isso é claro e é por isso que existem grupos de casais na Igreja, que existem especialistas nesta questão, que existem pastores que se pode procurar; e eu conheço tantos meios que são lícitos e que ajudam nisso. Você fez bem em me perguntar isso.

Outra coisa curiosa em relação a isso é que para a maioria das pessoas pobres, uma criança é um tesouro. É verdade que você deve ser prudente aqui também, mas para eles é um tesouro. Alguns diriam ‘Deus sabe como me ajudar’ e talvez alguns deles não são prudentes, é verdade. Paternidade responsável, mas olhemos também para a generosidade daquele pai e daquela mãe que veem um tesouro em cada criança.”

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