Cinema às 8

“Castlevania” é adaptação competente da saga

Anunciado no começo de 2017, a adaptação em anime da franquia de games “Castlevania” chegou à Netflix na semana passada. Com 30 anos passados desde o lançamento do primeiro jogo da saga, a franquia já foi uma das mais populares do universo dos jogos eletrônicos. Enxergando nesse nicho uma oportunidade de adaptação, a gigante do streaming acertou em apostar num universo tão vasto quanto o de Castlevania. O roteiro dos episódios ficou a cargo do autor Warren Ellis, responsável por criar histórias de diversos personagens populares, como Vingadores e Hellblazer.  

Contando com apenas quatro episódios em seu primeiro ano (uma segunda temporada com oito capítulos já está confirmada), a trama apresenta a ira de Drácula (Graham McTavish) após ter sua esposa Lisa (Emily Swallow) queimada na fogueira sob a acusação de bruxaria. Devastando a cidade onde habita e espalhando um exército de demônios pelas redondezas, Drácula se torna uma figura de ameaça constante. Enquanto isso, na cidade de Gresit, Trevor Belmont (Richard Armitage), último integrante de um clã que caçou vampiros por séculos, acaba intercedendo contra a ameaça de Drácula.

Apesar do número pequeno de episódios, a trama consegue apresentar de forma competente o universo de Castlevania. Sendo uma adaptação direta do terceiro jogo da saga, Dracula’s Curse, os fãs poderão encontrar aqui maiores detalhes da história de Trevor e sua família, pois o anime se preocupa em construir uma narrativa coerente para o anti-herói. Quem sai perdendo nesse aspecto é, infelizmente, o próprio Drácula, já que a presença do vampiro é vista com detalhes apenas no primeiro episódio da série.  

O Conde Drácula

Fiel ao design dos cenários e personagens dos jogos, o visual do anime é um de seus pontos mais altos. Com uma atmosfera gótica permeando todos os ambientes explorados pelos protagonistas, as cenas de violência explícita da história ganham um ar ainda mais horrendo, algo que casa muito bem com a história de Castlevania. Por mais que o anime possua uma quantidade grande de diálogos expositivos, o detalhe não chega a incomodar, pois funcionam como forma de relatar o passado da trama.

Consistente durante sua curta jornada, é no último episódio que a série mostra a que veio. Repleto de diálogos excelentes, como o do demônio com o bispo na igreja, e uma cena de batalha memorável entre Alucard (filho de Drácula, dublado por James Callis) e Trevor, os quatro capítulos se encerram com uma ponta interessante para a próxima temporada. Caso o anime continue a adaptar os jogos de forma cronológica e aproveitando toda a história de Castlevania, os fãs certamente terão em mãos uma longa e divertida saga.  

Todos os episódios estão disponíveis na Netflix

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