Cinema às 8

“Justiceiro” traz discussões atuais para as séries da Marvel

*Contém spoilers sobre o fim da trama 

Logo na segunda temporada de “Demolidor”, Frank Castle (Jon Bernthal) foi um personagem difícil. Por mais que o ator e o roteiro capturassem o espírito do material original, o risco de criar uma persona fascista e cativante em tela era grande. O anúncio de uma série solo do Justiceiro foi bem recebido pelos fãs, que clamavam pela representação definitiva do anti-herói, tão descaracterizado nos cinemas. Na mais nova parceria Netflix, Marvel e ABC, “Justiceiro” chega como a melhor série da Casa das Ideias desde o primeiro ano de “Demolidor”.

Após os eventos mostrados na série de Matthew Murdock (Charlie Cox), Frank Castle continua em busca de punir os homens responsáveis pela morte de sua família. Com dificuldades de conseguir encontrar o alvos corretos, o hacker David “Micro” Lieberman (Ebon Moss-Bachrach) surge com o objetivo de auxiliar Frank em sua missão, ao mesmo tempo em que busca conseguir de volta a vida ao lado da família. Com o mesmo objetivo de Frank, a agente Dinah Madani (Amber Rose Revah) procura desbancar as organizações criminosas presentes em Nova York.

De antemão, o maior trunfo de “Justiceiro” está em trazer discussões atuais para a história do personagem. Situada no país onde mais ocorrem tiroteios em massa no mundo, a série não opta pelo caminho fácil e traz questionamento pertinentes sobre posse de armas, atentados terroristas internos e uma suposta perda do espírito americano. Dessa forma, o seriado se torna o mais politizado dentre seus “irmãos”. A abrangência de discussões apresentadas aqui, inclusive, apenas reforça o quão pobre foi “Punho de Ferro” em sua abordagem, ao não trazer nada de novo ou qualquer reflexão pertinente durante seus 13 péssimos episódios.

Frank e Micro em uma missão

A relação de Frank com os coadjuvantes também auxilia no desenrolar da trama, sem que as ações soem como preenchimento de tempo de tela. Existem, sim, algumas subtramas um tanto deslocadas dentro do contexto geral,  mas o resultado final não chega a incomodar. Destaque para o ótimo Ben Barnes, intérprete de Billy Russo, que traz camadas interessantes para o antigo parceiro de Castle.

Ao ser apresentado como um louco em busca de vingança, o Frank Castle deste primeiro ano se mostra alguém ainda com muito ódio acumulado, mas com capacidade de se renovar. O encerramento da trama de vingança por sua família abre novas possibilidades para o personagem, agora que, em teoria, não há nada que possa fazê-lo voltar aos tempos de matança.

Em aspectos técnicos, “Justiceiro” é a série com a fotografia mais interessante da Marvel-Netflix. Sem apelar para o uso óbvio de cores em “Defensores”, a série sai do básico de planos fechados nos rostos, seguidos de cortes rápidos, para apostar mais em planos abertos que valorizam os cenários e a movimentação dos atores.

O colete de Frank é o mais resistente do mundo, pelo visto na série

Com performances competentes, uma história bem amarrada e temas atuais, a primeira temporada de “Justiceiro” é o maior acerto da Marvel-Netflix em anos. Por mais que uma segunda temporada seja praticamente certa, o tom final dado pelo seriado é que chegou ao fim o ciclo de Frank Castle. Novos caminhos surgirão para o personagem, mas, por enquanto, o Justiceiro pode descansar, com a certeza de que a missão foi cumprida.

Com: Jon Bernthal, Ebon Moss-Bachrach, Amber Rose Revah e Ben Barnes

A série completa está disponível na Netflix

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