
Madonna sempre esteve envolvida em polêmicas, mas a polêmica envolvendo American Life tocou num assunto tão forte que gerou problemas com a comunidade americana. O assunto? Política! Veja as músicas e a história contada no décimo álbum de Madonna.

Depois de ter levantando questões polêmicas como sexualidade e religião, em 2003, a cantora Pop mais bem sucedida queria contar uma história madura, forte, mas delicada: criticar o governo do seu país.
Logo no single de abertura, o mesmo que dá nome ao álbum, Madonna critica o governo americano dizendo em entrelinhas que a guerra era um retrocesso e que ela mesma não seria mais uma manipulação do marketing instantâneo. Na verdade, tudo ficou explícito quando Madonna lançou o vídeo de “American Life”, que seria censurado logo em seguida.
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Em troca, o material da cantora foi recebido com um boicote. O segundo single, “Hollywood”, foi muito bem recebido mundialmente, mas nem entrou nas paradas da Billboard nos EUA. A música seguia o conceito principal do álbum, que criticava a sociedade das aparências a qualquer custo.
Apesar do problema com o primeiro single, Madonna propôs algumas ações que marcaram o ano de 2003, como a performance no VMA daquele ano, onde ela “casaria”, com as princesinhas do Pop, Christina Aguilera e Britney Spears, com direito a beijo na boca.
American Life parece ser uma evolução de seus trabalhos anteriores, “Music” e “Ray Of Light”, com músicas dançantes, repletas de sintéticos bem produzidos, e outras músicas acústicas e cheias de significados, muitos deles vindos os ensinamentos da Cabala, religião da cantora. Apesar de ter tocado em feridas da questão política e social, American Life é sobre Madonna e sobre o momento em que ela estava.
O álbum ainda rendeu um terceiro single “Love Profusion”, e a música “Die Another Day” que teria sido usada no filme do 007 de mesmo nome. Esta última abriu espaço para um dos melhores clipes já produzidos pela cantora.

1. American Life: O álbum já começa explosivo, com uma música dançante, com letra marcante, assim como sua sonoridade, que mistura eletro, violão acústico e hip hop, com direito a Madonna fazendo um rap. Nota: 10,0.
2. Hollywood: No segundo single do álbum, os violões ainda estão presentes. E a sonoridade é única, mas também simples. No vídeo, a rainha provoca a artificialidade de Hollywood e a imagem de perfeição que vem sendo idolatrada na mídia atual. Nota: 10,0.
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3. I’m So Stupid: Com uma técnica especial logo no início uma sílaba é congelada, e traz o tom moderno e estranho da música. Na letra, Madonna se despe mostrando que também tinha problema com auto-estima e aceitação. Problemas que aqueles do show business geralmente passam. No final, ela se conhecia bem melhor e conseguiu colocar a negatividade pra fora. Nota: 10,0.
4. Love Profusion: Uma canção uptempo sobre amor, e como ele faz você compreender todas suas perguntas. Não é sobre se apaixonar, é sobre ter o amor dentro de si. Nota: 10.0.
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5. Nobody Knows Me: Essa seria uma música para estar num álbum auto-intitulado da cantora. Cheia de sintéticos e uma vibe meio robótica, Madonna mostra que é humana e também está suscetível aos ataques da mídia. Nota: 10,0.
6. Nothing Fails: A primeira balada do álbum, mostra uma Madonna apaixonada, mas confusa, “I’m not religious, but I fell so moved. Makes me want to pray.” Sua voz é o foco, junto com os vocais em coro que aparece ao final. As cordas só dão mais ênfase a isso. Nota: 10,0.
7. Intervention: Aqui a parte acústica do álbum é predominante. Sombria e bela. Nota: 9,5.
8. X-Static Progress: Minimalista e se mostrando novamente, aqui Madonna deixa o seu interior falar. Deixa a impressão de que o relacionamento com seu então marido, Guy Ritchie, era intenso e cheios de emoções positivas e negativas. Nota: 9,0.

9. Mother And Father: Outra música pessoal, trazendo agora sua relação com seu pai e a perda muito cedo de sua mãe. Mother And Father ficou uma uptempo inusitada e muito boa de se escutar. Nota: 10,0.
10. Die Another Day: A música do filme do 007 rendeu um clipe incrível que é considerado por muitos um dos melhores da carreira de Madonna, com uma alusão a uma luta interna entre o bem e o mal. Mas não é só isso, a música traz uma carga poderosa e consegue ser divertida e dançante ao mesmo tempo. Nota: 10,0.
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11. Easy Ride: A balada final, ou melhor a midtempo final, fecha o álbum com uma questão: Qual o real sentido da vida? Qual sua missão? Desafios, superação, família. Qual o sentindo disso tudo? Não! A música não mostra a resposta. Assim seria tudo muito fácil, não acha? Nota: 10,0.

“American Life” vendeu 4 milhões de cópias, nada muito incrível para a época, mas deixou registrado que Madonna não seria uma manipulação consumo, uma marionete do marketing, ela seria o seu próprio marketing. Confirmou que ela faz suas próprias regras, mesmo que isso traga consequências negativas comercialmente falando.
“A verdade é que Madonna não é a rainha do pop, como se supõe. Ela é, isso sim, o maior nome do underground do planeta, em todos os tempos. Seu berço foi uma pista de dança entre Detroit e Nova York. E seu crescimento se deu em um ambiente “maldito” — latino, negro, gay, hedonista — que, apesar de reprimido e atacado com preconceitos, foi o mesmo que floresceu e gerou toda a cultura dance (ou eletrônica) que conhecemos até hoje. E que continua reprimida e vítima de preconceitos.” Carlos Albuquerque (MOL)

Mais uma vez, Madonna abriu caminhos, mostrou que com música você pode se opor à algo, criticar e levantar questões pessoais, sexuais e políticas, mesmo através da música Pop, que está sempre conectada ao superficial mercado do consumo.
Pessoalmente, American Life foi o primeiro álbum de Madonna que me chamou atenção e tive a vontade de tê-lo, de entender o que cada música falava e analisar o que ela queria dizer com cada uma, das poucas 11 músicas. Acho que isso deve ter acontecido com muitos fãs de Pop da época, que estavam curtindo tantas músicas rasas de conceitos em 2003.

Vale baixar: American Life, Hollywood, Love Profusion, Nobody Knows Me e Die Another Day.





Tive este cd mas não curtia muito, talvez por preferir Music e Ray of Light. É interessante analisar American Life e suas intenções, pois na época eu era bem nova e não me dei conta de nada disso. Adoro Hollywood e Nothing Fails. O duelo de escrima do clipe Die Another Day me fez lembrar a luta de Britneys em Hold it Against Me. O que uns chamariam de cópia, outros (eu) de inspiração, assunto abordado num post aqui do Popssauro mesmo.
Álbum de letras muito boas, mas de sonoridade confusa e muitas vezes irritante. O Álbum menos vendido dela, pois a maioria dos fãs não gostou, nem mesmo a crítica. Um álbum fácil de esquecer. Nem me lembro que possuo. Nunca coloco para ouvir. Só se salva “Intervention”.
Isso sim é uma matéria digna sobre pop. Excelente!