Valesca Popozuda e o Feminismo

Veja a seguir um artigo que mostra que existe muito mais significado nas músicas do Funk carioca do que você imagina…

Se Madonna, Beyoncé, Spice Girls e outras mulheres da música Pop fizeram e fazem seu trabalho visando o empoderamento feminino, com o Funk não é tão diferente. Cantoras como Tati Quebra-Barraco, Anitta, Mc Ludmila e Valesca Popozuda vem fazendo o mesmo caminho através do funk.

Na música ***Flawless, Beyoncé coloca as cartas na mesa e admite ser Feminista. O discurso de Chimamanda Ngozi Adichie, incluído na faixa, deixou bem claro o conceito do movimento: “Feminist: the person who believes in the social, political, and economic equality of the sexes.” (Feminista: pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica dos sexos).

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E essa é a igualdade que é expressada nas letras obscenas e danças provocantes das cantoras do Funk, um fruto musical cultural das favelas do Rio, que hoje impacta todo o Brasil.

Valesca à frente do Feminismo

Através do poder, Anitta, e seu Show das Poderosas, conseguiu mostrar que as mulheres também podem ser donas de si, mesmo com sua pegada mais comercial e puxada para a música Pop.

Mas é com Valesca Popozuda e, antes com as músicas das Gaiola das Popozudas, que esse conceito de igualdade sexual parece tomar ainda mais forma.

A liberdade sexual feminina é uma das grandes temáticas do funk feito por mulheres. E, me espanta, que ouvir uma mulher dizer com todas as vogais e consoantes que gosta de sexo ainda seja visto como algo chocante, perturbador. (Bia Cardoso do Blogueiras Feministas)

Valesca em suas músicas, que sempre continham versões proibidas, deixava claro que seu corpo não era de ninguém a não ser dela mesma. Era essa liberdade sexual e esse direito sobre seu corpo que ela gostaria de transmitir em frases como: “My pussy é o poder”, “Agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar”, ou na faixa gravada antes da entrada de Valesca, “A P*rra da B*ceta é Minha”.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=m4SW0AWPHAQ[/youtube]

Se por um lado, a cultura da favela é explícita, pornográfica; por outro, o empoderamento feminino está mais do que presente no discurso das músicas. Ao invés, de se dizerem oprimidas as cantoras cantam à liberdade e é aí que aparece o errado, o sujo, o ofensivo: o desejo feminino.

Eu posso fazer funk feminismo

Podemos dizer, também, que é nesse ponto que o Funk dribla a objetificação do corpo feminino. Por que ela não pode mostrar seu corpo, se ela o detém? O público pra quem ela canta quer ver? Então qual é o problema? Por que essa liberdade  incomoda?

Sei que o funk possui algumas letras ofensivas e grande teor objetificador, mas ver uma mulher falar sobre seu próprio corpo de maneira livre é, sim, empoderador para todas as mulheres. Além do mais, Valesca dá voz à mulheres da periferia, mulheres que não são ouvidas, que vivem uma realidade diferente da minha, da sua, de muita gente. (Nanda do Sociedade Racionalista)

Cantoras como Tati Quebra-Barraco e Deise Tigrona ainda vão mais longe, com suas letras, que também denunciam essas opressões, seja na cama ou fora dela, essas cantoras quebram o padrão de beleza imposto, elas não precisam ser loiras, magras, com bunda de silicone para dançarem e se sentirem bem diante do público.

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Se no início dos anos 2000, as mulheres só eram as Potrancas, as Cachorronas, as Tchutchucas, agora elas saíram do fundo palco, roubaram os microfones para explicarem que podem ter esses títulos, mas quando querem: “Sou cachorra, sou gatinha. Não adianta se esquivar. Vou soltar a minha fera e boto o bicho pra pegar”. (Tati Quebra-Barraco).

Enfim, apesar do poder de igualdade, o objetivo do Feminismo é mostrar que você, mulher, tem poder de decisão, você pode trabalhar do jeito que quiser, pode dançar da forma que achar mais divertido, enfim, ser quem você é. Não tenha medo de ter um nome como “Valesca”, e mesmo assim ter um apelido como “Quero dar!”.

Lollipop Baile Funk da Mc Mayara em Fortaleza

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Fernando Diego Sioli

Blogueiro de Pop do O POVO; Coordenador de Mídias Sociais; Colecionador de Beyoncé & X-men; Retrogamer; Amante da Diversidade, da Saúde e da Felicidade.

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