Discografia

Salvando a pátria

Quando Martin Luther King foi assassinado, no dia 4 de abril de 1968, foi liberado o estopim necessário para que o movimento negro tomasse conta das ruas. Todos aqueles que se viram identificados com as reivindicações saíram às ruas promovendo onda violenta de protestos. Os tempos eram difíceis principalmente para os próprios negros, que viviam um período de discriminação sustentado por leis e pelo aparato oficial. Passadas 24h da morte do pastor e líder pacifista, o saldo era de 40 mortos, 20 mil presos e um sem número de pessoas feridas nas rebeliões que tomaram conta das ruas.

Foi nesse cenário que James Brown segurou o microfone e fez dele uma arma contra a onda de violência que assolava os Estados Unidos. Em Boston, capital de Massachusetts, ele armou sua lona de funk e metais e acalmou uma América revoltada pela perda de um herói. Essa é a história contada em O dia em que James Brown salvou a pátria, livro de James Sullivan, publicado pela Editora Zahar. Numa época em que sua voz gritava os anseios da população negra e entoava frases de efeito como Say it loud – I’m black and I’m proud, James Brown subiu ao palco do Boston Garden e cantou para um público ainda de sangue quente pelos acontecimentos do dia anterior. Rico, com boas vendagens e já com bons hits na bagagem – como I feel good, Papa’s got a brand new bag e o disco Live at Apollo -, Brown vivia sua fase de porta-voz contra a discriminação racial. A ideia inicial seria cancelar a apresentação em Boston, mas, temendo que as manifestações aumentassem, a apresentação foi mantida e ainda transmitida pela televisão, com ideia de que as pessoas ficassem em casa para assisti-lo. Com uma pitada de biografia do cantor e boas doses de relatos sobre o black power, o livro remonta em detalhes aqueles dias incendiários para o povo americano e os fatos que levaram Brown de Poderoso Chefão do Soul a uma lenda viva conhecida pelos seus escândalos.

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