Discografia

Quem é o rei?

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Antes de qualquer coisa, peço desculpas pelo atraso deste post. Acontece que só agora pude interroper minhas férias para registrar a ótima apresentação do mestre Erasmo Carlos na última sexta-feira no Hotel Quitandinha, em Petrópolis. O show fez parte da programação do Festival de Inverno do SESC que acontece anualmente serra carioca. Em ótima forma em plenos 69 anos, o eterno Tremendão subiu no majestoso palco para apresentar as cações do seu mais novo disco, Rock’N’Roll, e relembrar seus muitos sucessos. Tal como o título do disco, Erasmo mostrou para uma casa cheia o que é ser Rock’N’Roll. Trajando calça jeans, blusa de manga longa e suas famosas pulseiras ele deu início apresentação com a ótima Jogo Sujo que foi seguida pelo hino Sou uma criança não entendo nada. A diferença de mais de 30 anos entre as canções, só vem a confirmar que o cara que estava no palco já entende do assunto há bastante tempo e que, junto com a versão envenenada de Mesmo que seja eu, ainda tem muito o que ensinar pra quem ta começando. Defininindo o espetáculo como um “orgasmo inenarrável”, ele mandou Gatinha Manhosa depois de explicar que, diferente de quem renega seus sucessos, ele gosta de cantá-los, e que mais do que gritar, rock também é falar de amor. “E tem mais”, afirmou ele antes de vir com Sentado à beira do caminho e É preciso saber viver. “Nunca antes na história deste país se viu um compositor tão feliz”, brincou ele antes de comentar comentar sobre a autobiografia e a turnê onde comemora seus 50 anos de carreira. Ops! Seus 50 anos de estrada. “Os tempos mudaram”, comentou maroto antes de entornar um gole d’água. Cenário e bela iluminação, comebinaram perfeitamente com o baile de rock e baladas que o Tremendão proporcionou ao lado da banda afiadíssima formada pelo trio Os Filhos da Judith (Luiz Lopez – guitarra; Pedro Dias – baixo; Alan Fontenele – bateria) mais Dadi (baixo), Billy Brandão (guitarra) e José Lourenço (teclados). Para comemorar os 50 anos do seu amigo Roberto Carlos, Erasmo ainda lhe prestou duas homenagens: primeiro fez um pot-pourri de grandes momentos da dupla entoados somente ao piano e, já no fim, surpreendeu o público com um sósia de Roberto enquanto cantava Cover, do novo disco. Cheio de disposição e bom humor, o que ficou claro é que, mesmo com a mudança dos tempos, ele ainda sabe muito bem o que e o Rock’N’Roll.

P.S.: No início da primeira música, Erasmo teve que interromper o show por conta de uma queda de energia. O fato provocou um atraso de pouco mais de 20 minutos para a apresentação que estava marcada para as 21h.

P.S. 2: Antes de cantar Projeto Salva-Terra, Erasmo brincou que, antes de grandes nomes da cultura estrangeira falarem em ecologia, como o Sting, ele já havia composto uma música sobre o assunto e ninguém comentou nada. “Só depois eu entendi porque os brasileiros não me entenderam. É por que eu falava em português”!

Set list (ao lado, o disco e o ano em que foram gravadas):

1- Jogo sujo (Rock’N’Roll, 2009)

2- Sou uma criança, não entendo nada (1990- Projeto Salva Terra, 1974)

3- Mesmo que seja eu (Amar pra viver, ou morrer de amor, 1982)

4- Mulher (Mulher, 1981)

5- Minha superstar (Mulher, 1981)

6- Chuva ácida (Rock’N’Roll, 2009)

7- Negro gato (1990- Projeto Salva Terra, 1974)

8- Noturno carioca (Rock’N’Roll, 2009)

9- Gatinha manhosa (Você me acende, 1966)

10- Sentado à beira do caminho (Erasmo Carlos e os Tremendões, 1970)

11- 1990 – Projeto Salva Terra (1990- Projeto Salva Terra, 1974)

12- É preciso saber viver (É preciso saber viver, 1996)

13- Homenagem a Roberto Carlos (Detalhes, Cavalgada, Café da Manhã, propostas e outras)

14- A guitarra é uma mulher (Rock’N’Roll, 2009)

15- Olhar de mangá (Rock’N’Roll, 2009)

16- Que tudo mais vá pro inferno (Gravada com Caetano Veloso em Erasmo Carlos Convida, 1980)

17- Minha fama de mau (A pescaria, 1965)

18- Vem quente que eu estou fervendo (O Tremendão, 1967)

19- É proibido fumar (Sonhos e Memórias, 1972)

– Bis:

20- Cover (Rock’N’Roll, 2009)

21- Festa de arromba (A pescaria, 1965)