Discografia

Música e poesia com alma

Por Luciano Almeida Filho (lucianoalmeida@opovo.com.br)


 
A cantora e compositora Alzira Espíndola é a atração principal do projeto BNB Clube de Cultura neste primeiro sábado de agosto, dia 6, a partir das 21 horas. A abertura fica por conta do cantor e compositor cearense Rogério Franco. Sul-matogrossense egressa da banda Lírio Selvagem, com quem estreou ao lado dos irmãos Tetê e Geraldo Espíndola no finalzinho dos anos 70. Alzira desenvolveu um trabalho solo significativo dentro da vanguarda paulista, a partir de meados dos anos 80, principalmente por sua aproximação com a obra poética de Alice Ruiz e suas parcerias com Itamar Assumpção.
 
Alzira aporta por aqui com um trabalho novinho em folha, baseado no segundo CD em parceria com o poeta arrudA (sic), Pedindo a palavra, que acaba de ser lançado por meios independentes com distribuição da Tratore (você pode escutar todas as faixas no site www.alzirae.com.br). Alzira é uma espécie de madrinha artística de arrudA. Ele lhe foi apresentado por Alice Ruiz e logo eles iniciaram uma profícua parceria. Foi através dela que ele estreou no disco Alzira E, lançado pela Duncan Discos (de Zélia Duncan) em 2007. E só agora ele está lançando seu primeiro livro, As menores distâncias podem levar uma vida.

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“Estou levando em primeira mão para o público de Fortaleza”, enfatizou Alzira em entrevista por telefone, no finalzinho da tarde de quarta-feira passada. Segundo a cantora, quem for ao BNB Clube nesta noite de sábado vai poder conferir “a alma do disco”. Ela explica melhor: “gravamos as bases das músicas somente eu, voz e violão, e o baixista Du Moreira, que é quem assina a produção. Depois é que fomos botar as guitarras e outros instrumentos”. Então, o público vai conferir as músicas como foram concebidas.

Além de Alzira e Du Moreira no palco, o poeta arrudA é a cereja do bolo, participando da performance recitando poemas do livro As menores distâncias podem levar uma vida, entre outros que ganharam destaque através da Internet através de blogs e sites de poesia. “Vou cantar quatro ou cinco músicas do disco novo, e mais do disco anterior, além de passar pelo meu trabalho com a Alice Ruiz e o Itamar Assumpção”, adianta, citando especialmente aquelas composições que ganharam registros nas vozes de Ney Matogrosso e Zélia Duncan.

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O papo invariavelmente inclinou-se para falar do saudoso Itamar Assumpção, com quem fez uma série de shows e desenvolveu uma parceria decisiva na trajetória de ambos. “O trabalho do Itamar mudou quando passou a trabalhar com a Alice Ruiz, primeiro, e depois comigo. Ganhou uma doçura, ficou mais poético e menos teatral como era no tempo do Beleléu”, avalia e aponta: “Comigo ele se revelava especialmente como poeta porque ele fazia as letras e eu musicava”. Alzira elogia a qualidade do documentário Daquele instante em diante, do diretor mineiro Rogério Velloso, que integra o projeto Iconoclássicos, do Itaú Cultural. “É um filme que emociona muito a gente e faz um retrato do personagem que foi Itamar”, diz.
 
Alzira Espíndola adianta que ainda possui cerca de 15 parcerias inéditas com Itamar, duas ou três ainda inacabadas. “Primeiro eu mostro pro Ney Matogrosso, que é o intérprete que melhor se identifica com meu trabalho com o Itamar. Ele sempre terá prioridade. Depois vem os outros, inclusive eu”, ri.

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