
A carioca Marina De La Riva estreou em disco em 2007 com elogiado disco homônimo. Misturando canções brasileiras e cubanas, ela transitou entre o bolero, o jazz e a bossa nova dando frescor e jovialidade a canções como Sonho meu e Drume negrito. Por telefone, ela conversou com o DISCOGRAFIA sobre cantar pela primeira vez em Fortaleza num evento que celebra a latinidad.
DISCOGRAFIA – O que está preparando para essa estreia em Fortaleza?
Marina De La Riva – Estou contente por que já estou mordida pelo disco novo. Já pretendo apresentar três novas em primeira mão. A verdade é que eu já to louca pra mostrar essas músicas. Ainda tenho um projeto aí em Fortaleza, provavelmente para este ano, que ainda não posso revelar
DISCOGRAFIA – Você é uma carioca filha de cubano com mineira. Qual é o resultado dessa mistura? Como isso fica na música?
Marina – Brinco que carioca por acidente. Mas, se isso me dá algum suingue, tudo bem. Na música, o jeito mais fácil é ser transparente e essa sou eu. Meu pai falava “muchacha” e minha mãe falava “uai”. Quando eu afirmo essa bandeira latino americana e morando numa cidade como São Paulo, eu percebo que morando no campo eu pude ter muita influência da família. Me sinto moldada pela família. Na minha casa, a cultura cubana era tão real quando a brasileira. Quando eu digo isso, não tem invenção nem negação.
DISCOGRAFIA – A influência da música estadunidense no Brasil é bem maior do que a que vem de países fronteiriços. O que você acha disso?
DISCOGRAFIA – Você vai cantar num evento universitário na mesma noite que o Tarancón, uma referência na música latina. Quais foram suas referências como cantora?
Marina – São muito amplas. Na verdade eu tenho muitos musicistas como referência. Chet Baker, que nem era latino nem mulher, mas tem uma conversa que eu gosta. Tem a Maria de Los Angeles Santana e o Ernesto Lecuona. Tem o percussionista Chano Pozo. São pessoas que ouvi a vida inteira e fundamentam o meu trabalho. No Brasil tem Bethania, Maysa, Tom Jobim, João Gilberto. Engraçado que meu pai ouvia bossa em cuba e bolero no Brasil. Tudo vai alimentando nossa estética.
DISCOGRAFIA – Você vem de uma família muito musical. O que vocês gostavam de cantar em casa?
Marina – Meu pai sempre cantou ópera. Ele era mais erudito, mas sempre apresentou a cultura do país dele. Minha mãe gostava de música, mas ele tinha a paixão. A música era um elemento na nossa vida. Em cuba, a música é uma paixão assumida, não importa a classe social. Quem não sabe dançar é um “limón”.
DISCOGRAFIA – Seu primeiro disco misturava músicas latinas, incluindo as brasileiras. Qual era sua expectativa com esse trabalho?
Marina – No meu disco tem um texto que diz quem eu sou. Lá tem uma frase que diz “com isso eu vou tirar o que eu tenho no meu peito”. Era isso que eu precisava. Claro que tenho amor, que quero que o trabalho tenha asas. Mas meu temperamento era de criação, não tinha expectativa.
DISCOGRAFIA – Agora você está preparando seu segundo trabalho de estúdio. O que pode adiantar?
Marina – Também é uma fotografia da minha verdade. De 2007 a 2011, eu conheci muita gente. Ele traz um pouco das pessoas que tocam comigo, das viagens que fiz. O disco está 98% pronto, mas ainda está sem nome e sem previsão de lançamento. Tem uma participação que quero muito, mas que não estou conseguindo agenda. Talvez isso retarde o lançamento.