
Juntos, os artistas conseguem diferentes resultados ao longo de mais de uma hora de apresentação. Ao lado de duas referências, Ivete garante seu espaço com beleza e bom humor. Cria dos novos tempos midiáticos, a cantora acaba assumindo informalmente o papel de mestre de cerimônias do encontro. De paletó e violão em punho, Gil precisa de muito pouco para demonstrar sua importância no encontro. Já Caetano, com certo ar blasé, parece estar pouco entusiasmado à frente das câmeras.
Se o repertório não é lá muito surpreendente, alguns números se mostram bem melhores que o esperado para projetos dessa natureza. Tendo o amor como guia para as 14 canções, quem mais se arrisca é justamente Ivete Sangalo ao trazer para si canções marcadas pelas vozes sagradas de Gal, Bethânia e Elis. Embora o registro da Pimentinha para Atrás da porta (Chico Buarque) seja algo à beira do insuperável, a baiana dá seu recado com emoção e sem firulas. Mas seu melhor momento é numa versão latinizada de Tá combinado (Caetano Veloso), lançada por Bethânia em 1988. Embora ela não não tenha a intensidade necessária para dar peso a tantas canções de acento mais dramático, a baiana faz bem ao inventar pouco e evitar comparações.
Amigos de longa data, Caetano e Gil aproveitam o espaço para contar histórias de suas musas. Defendida num dueto emocionante da dupla, Drão foi feita para a ex-mulher de Gil Sandra Gadelha (ou Sandrão), durante a separação do casal. E em seu momento solo, Gil grava Dom do iludir, do parceiro tropicalista, sem mexer muito no original. Em retribuição, Caetano divide Super-Homem, a canção, com o amigo. Embora tratem-se de três obras primas, as alocação delas no repertório ó servem para confirmar a beleza e gradiosidade do trabalho dos dois baianos. Entre arranjos mornos de Lincoln Olivetti e a direção musical careta de Mariozinho Rocha, o encontro das três estrelas baianas encerra com o majestoso samba Amor até o fim em outro bom momento o trio. Em seguida, somente a sensação de que poderia ser um tanto melhor.