Discografia

Qual é o disco mais importante da música cearense?

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Sempre polêmicas, as listas já fazem parte da vida dos leitores de música. Qual o disco mais importante da década ou da história? Qual o maior clássico de Bob Dylan? Quais as dez músicas mais importantes do Beatles? Quais as músicas brasileiras mais importantes da última década? Claro, nunca essas listas satisfazem o público como um todo. Pode-se até dizer que todas elas são injustas, pois sempre vai ficar alguém de fora. E quando alguém fala em “questão de gosto”, aí sim é que a coisa pega fogo.

Ainda assim, o Vida & Arte Cultura desta semana lança um desafio para aqueles que gostam de apontar seus preferidos. A pergunta é simples: qual o disco cearense mais importante da história? Pensando bem, a pergunta apenas parece simples. Do erudito ao popular, a produção cearense é bastante vasta e muitos dos seus exemplares já fizeram história. É certo, porém, que boa parte dessa produção ainda está à espera de alguém que volte a lhe lançar luz. Isso por que, infelizmente, muitos discos antigos (ou nem tanto) se encontram fora de catálogo ou nunca foram lançados em formato digital. Ou seja, quem tem um Flor da paisagem (Amelinha) ou um O Romance do Pavão Mysteriozo (Ednardo), pode-se considerar um sortudo. Se for em LP então, nem se fala. Claro, muitos áudios mais raros estão disponíveis para download pela internet. Mas, como eles não são legalizados, é melhor não espalhar.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=g8fTcdTyJXs[/youtube]

Voltando à eleição do disco mais importante da música cearense, afirmo que ela já começou. Ao longo da última semana, o Vida & Arte Cultura ouviu nove pessoas envolvidas com música de várias formas. Estudiosos, músicos, críticos, cada um fez cinco apostas, todas precedidas de um longo discurso sobre a “covardia” que é apontar apenas cinco títulos. Ainda assim, somadas todas as escolhas, foi possível ver a pluralidade de versos e melodias criadas na Terra de Iracema, e o quanto esse repertório precisa ser redescoberto e ouvido.

Tirando os discos coletivos, segundo os convidados, o artista mais citado foi Raimundo Fagner. Intérprete cearense de maior projeção nacional, esse filho de Orós teve citado quatro dos seus discos: Manera fru fru manera (1973), Raimundo Fagner (1976), Quem viver chorará (1978) e Traduzir-se (1981). Indiretamente, Fagner também comparece como convidado em Maraponga (Ricardo Bezerra, 1978) e Quando fevereiro chegar (2010) – homenagem da prefeitura de Fortaleza a Fausto Nilo -, e nos discos coletivos Massafeira (1980) e Soro (1979).

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=LWEcZv9FWX8[/youtube]

No entanto, o disco apontado como preferido foi Alucinação, segundo álbum de Antônio Carlos Belchior, lançado em 1976. Produzido por Marco Mazzola para a Polygram, o disco, belo da capa ao repertório, trazia alguns dos maiores sucessos do cearense. Alguns deles, inclusive, na voz de outros intérpretes. É de Alucinação, por exemplo, Como nossos pais, canção que virou um emblema na garganta privilegiada de Elis Regina. Ainda desse disco, a Pimentinha regravou o rock Velha roupa colorida. Abusando do tom confessional e do estilo folk/rock nordestino, o disco traz ainda A palo seco, Apenas um rapaz latino americano, Fotografia 3×4 e tantas outras.

Em segundo lugar, um empate para Ednardo. Sua estreia solo com O Romance do Pavão Mysteriozo (1974) ficou lado a lado com Meu corpo minha embalagem todo gasto na viagem (1973), disco dividido com Rodger e Teti que lançou a marca “Pessoal do Ceará”. Pra quem não lembra, o Pavão Mysteriozo teve uma força da Rede Globo de Televisão para ser transformado em clássico, uma vez que a canção título foi abertura da novela Saramandaia (1976). Levando o peso do maracatu cearense para o sudeste, Ednardo fez história com esse lançamento. Ele ainda repetiria o feito ao dirigir o disco coletivo Massafeira (1980), fruto de uma grande mostra artística realizada um ano antes no palco do Theatro José de Alencar. Não por acaso, é esse o disco que ocupa o terceiro lugar da nossa lista.

Citando ainda Wilson Cirino, Nonato Luiz, Cidadão Instigado, os indicados como discos mais influentes da música cearense seguem adiante. Convidamos agora os senhores leitores a votar naquele disco (ou CD) que deve ser coroado como o mais importante da Terra da Luz. Sintam-se à vontade para apontar outros títulos também. A música cearense agradece.

Serviço:

> Para votar, entre no portal O POVO ON LINE e escolha o seu disco preferido

> Ao longo dessa semana, acompanhe aqui pelo DISCOGRAFIA mais informações sobre os discos cearenses a partir dos comentários dos nossos convidados

1 comentário

  • Acho estranho e bonito esse bairrismo dos estados “periféricos” da nossa federação,jamais existiria, creio eu,uma votação pra escolher os melhores discos paulista e fluminense,Eu até tenho uma teoria que tenta explicar isso,mas deixa pra lá.

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