Discografia

Zizi Possi apresenta show inédito em Fortaleza este fim de semana

©Rama de Oliveira“Onde havia a luz do sol, uma nuvem se formou. Onde havia uma alegria para mim, outra nuvem carregou”. Os versos do samba Tudo se transformou, de Paulinho da Viola, dão o mote do que foram os últimos anos na vida da cantora Zizi Possi. No primeiro semestre de 2008, no dia que encerrou as gravações do DVD Cantos e Contos, a noite que começou com uma celebração com a amiga (e convidada do projeto) Ana Carolina, terminou com um dor terrível que, depois, descobriu se tratar de um grave problema dos ossos. Depois de passar por uma série de cirurgias e internações, a maré de problemas ficou ainda mais revolta com a perda do pai e de um irmão.

“Eu quase morri”, resume a cantora paulistana por telefone. Mesmo fazendo participações esporádicas em alguns discos, o fato é que Cantos e Contos, lançado em 2010, foi seu último projeto. Para quebrar esse jejum, depois de sacudir a poeira, ela está de volta com um novo projeto que não poderia ganhar outro nome: Tudo se transformou. A turnê, que chega este fim de semana à Caixa Cultural, é uma espécie de ressaca, depois de tantas emoções fortes. “É um show bastante tranquilo, mais um concerto. Não tem aqueles efeitos especiais típicos dos shows. É música, luz e pronto”, resume.

No entanto, para Zizi Possi, dona de uma das mais belas vozes e de uma afinação impecável, essa soma é o suficiente. Com apenas uma inédita (No Vento, da compositora gaúcha Necka Ayala), o novo show é de fato um reencontro com a plateia, com o palco e com canções que escreveram sua história, além de outras que vêm chegando agora. É o caso de Meu mundo e nada mais (Guilherme Arantes), Sem você (Arnaldo Antunes/ Carlinhos Brown) e Nada pra mim (John Ulhoa). “Tem algumas coisas que não adianta, vou passar a vida sempre cantando. Mas isso não me incomoda mesmo. Pra mim isso é uma celebração. Ruim seria se eu não tivesse essas canções”, comenta entre risadas.

Atribuindo parte dos problemas de saúde a uma “cagadinha médica”, Zizi Possi agora tenta tirar um proveito de tudo que passou. “Ouço dizer que sempre tem um momento que a barra pesa. Acho que é para a gente ficar mais forte. Aprendi muito com essa experiência. Tudo que eu fazia era deitada, precisando de ajuda. Isso dá um banho de humildade”, reflete a artista que, durante esse tempo, ouviu muita música clássica, instrumental e música litúrgica. “Isso tudo me aproximou de pessoas que eu amo muito e me ajudou a perceber a importância da música na minha vida, não só com os olhos de uma profissional”.

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Embora a turnê Tudo se transformou deva se transformar em CD e DVD até o final do ano, Zizi não tem muitos planos fechados para a carreira daqui pra frente. “Não tenho a menor ideia. Eu to caminhando agora e não sei pra onde. Mas acho que minha maturidade como pessoa e artista caminhou”, avalia a cantora que se vê num “momento caótico de criação. O que é muito bom, por que momentos como esses também são muito criativos”.

Com 35 anos de carreira e próxima dos 57 de vida (no próximo 28 de março), Zizi Possi se encontra numa saudável encruzilhada artística. Como quem dá um reset na máquina, ela planeja o próximo passo com cuidado. Assim como aconteceu na virada dos anos 1980 para os 90, quando enxugou seu som para uma sonoridade mais refinada. “Eu sabia que tinha que fazer uma escolha e fui pagar o preço por isso. Naquela época eu também não sabia pra onde ir”, lembra acrescentando que já foi mais preocupada com opiniões e críticas. “No começo era uma coisa ‘o que será que esses jornalistas veem em mim que eles gostam da minha voz, mas acham o repertório tão ruim’. Tentei me colocar dentro dos olhos dos outros. Eu fui vivendo e aprendendo na prática”. E assim, depois de vividas tantas situações, discos e canções, ela tirou uma certeza. “Acho que já nasci casada com a minha integridade espiritual e minha necessidade de interpretação”.

Serviço:
Zizi Possi – Tudo se transformou
Quando: sexta (1º) e sábado (2), às 20h, e domingo (3), às 19h
Onde: Teatro Caixa Cultural (Av. Pessoa Anta, 287 – Praia de Iracema)
Quanto: R$20 (inteira) e R$10 (meia). À venda na bilheteria do teatro
Outras informações: 34532770

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