
Tom do sertão, 28° álbum da dupla paranaense, pega 14 joias do maestro carioca e adapta aos trinados típicos do gênero sertanejo. Águas de março, Estrada branca, Modinha e Chega de saudade são algumas das potenciais vítimas. Nem Eu sei que vou te amar foi poupada. A ideia pode até parecer interessante (não para mim) e Chitãozinho & Xororó já vêm adotando um discurso de que Tom, no fundo, era um sertanejo. Uma forçação de barra notória e equivocada.
Dono de uma obra inigualavelmente refinada e preciosa, Tom Jobim é um alvo fácil de quem quer parecer cult. Muita gente já empregou os mais esdrúxulos discursos para justificar ideias pavorosas em releituras que nem sempre convencem. Não é à toa que ele e dono de uma das músicas mais regravadas da história, a sestrosa Garota de Ipanema.
Mas Chitãozinho & Xororó queriam o selo de qualidade e engataram um projeto que já tem data para acabar. Mais honesto seria eles buscarem homenagear violeiros de verdade, como Xangai, Almir Sater ou Renato Teixeira. No entanto, nenhum desses nomes rende a pompa que Tom rende. Assim sendo, vamos ver o que acontece. Tom do sertão, produzido por Edgard Poças, Ney Marques e Cláudio Paladini, chega às lojas no final de janeiro. Até lá, fiquem com o clipe de Correnteza, que até ficou simpático.
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